20 de dezembro de 2010
Ferramentas interativas disponíveis na web permitem simular os benefícios da redução da tara de caminhões por meio do uso do alumínio

Mirian Blanco |

Reduzir a tara de um equipamento veicular para aumentar a capacidade de carga de caminhões e também sua eficiência de combustível, quando em tráfego sem carga, é decisão estratégica para frotistas. Mas para investir nessa redução, usando materiais leves, é preciso ter a certeza do custo-benefício. É isso que trazem alguns simuladores virtuais da aplicação do alumínio em transportes, hoje disponíveis na Internet. Abrindo campos automatizados para inserção de informações customizadas, as soluções permitem dimensionar ganhos ambientais e financeiros do uso do metal, como rendimento adicional decorrente do aumento do volume de carga transportada por viagem. Conheça algumas das soluções:

Simulador EEA.NET 
O portal da Associação Européia de Alumínio disponibiliza uma ferramenta para cálculo das vantagens financeiras do uso do alumínio em veículos. Disponível no link, o sistema apresenta três cálculos padrões e permite a customização dos cômputos, feita a partir do preenchimento de informações como investimento adicional para uso do alumínio, receitas estimadas de caminhões com carga adicional, preço do combustível, entre outros dados.

O cálculo do modelo “caminhão carga seca”, chamado no simulador de “Platform”, por exemplo, mostra o ganho estratégico do investimento  de cinco mil euros no uso de 1,6 toneladas de alumínio para aumento em 1,1 toneladas da capacidade de carga do veículo. Segundo o software, o uso do material leve resulta em um rendimento adicional devido ao aumento da carga de 3.300 euros por ano e valor residual de 1.283 euros, na revenda do complemento ao final de sua vida útil. Além dos ganhos, o investimento inicial no complemento leve se paga em 19 meses. “O prazo é muito competitivo, já que a vida útil desse veículo é de cerca de 10 anos, o que significa que o proprietário terá benefícios com alumínio por 80% da vida do veículo”, comenta Erwin Kriegel, consultor da Asa Alumínio, para quem, “nessa simulação, fica claro que o custo de investir em um veículo com partes em alumínio é pequeno”.

Já o investimento para aplicação de 2,75 toneladas de alumínio em um caminhão basculante de grande porte (“Large Volume Tipper”) aumenta a capacidade de carga em 2,5 toneladas, oferecepay back de 16 meses, rendimento adicional devido ao aumento da carga de 10.750 euros por ano e  valor residual de 2.204 euros. Para Kriegel, um dado significativo do exemplo é que a redução de peso do implemento de grande capacidade abre a possibilidade de um aumento em 2,5 toneladas da carga transportada por viagem. “Isso mostra o potencial expressivo da eficiência por frete que o alumínio pode proporcionar a frotistas”, comenta. Em um caminhão basculante de pequeno porte, do tipo “Public Work Tipper”, o retorno de investimento de 1.500 euros para aumento de 1,2 toneladas da capacidade de carga gira em torno de cinco meses apenas.

Depois de usar a ferramenta, a Randon, fabricante de reboques e semirreboques com uso intensivo de alumínio, confirmou os benefícios do uso do metal nas carrocerias de bebidas rebaixadas de 10 paletes que produz para empresas como a Coca-cola. A tabela abaixo exemplifica, em números, as vantagens de redução de peso do uso do alumínio na carroceria deste veículo, em relação aos complementos híbridos e 100% em aço.

Carroceria Peso (kg) % Ganho
100% de aço carbono 3.400
Híbrida (80% de aço – 2.160 kg – e 20% alumínio – 540 kg) 2.700 20% mais leve se comparada a carroceria 100% aço carbono
100% alumínio 2.015 40% mais leve se comparada a 100% aço carbono
25% mais leve se comparada à carroceria hibrida


Transport Light-Weighting Model

O simulador “The Model”, desenvolvido pelo Instituto Internacional do Alumínio, quantifica principalmente os ganhos ambientais do uso do metal não ferroso. A ferramenta mensura a economia de energias não renováveis e de gases de efeito estufa proporcionada pelo uso de componentes veiculares fabricados com o material, considerando o ciclo de vida desses itens – da fabricação, à produção, uso e reciclagem. Para Kriegel, “essa é uma ferramenta que pode ser chamada de ‘simulador verde’, dado que sua principal preocupação é traduzir para o investidor o impacto ambiental do uso do alumínio na fabricação de componentes veiculares”, diz.

O cálculo para caminhões (“Truck Mass Limited”), disponível aqui, mostra a comparação dos efeitos de liberação de carbono na atmosfera entre caminhões-tanque com tanque de aço versus similar com tanque de alumínio. Segundo o simulador, um caminhão feito com tanque de aço, com massa de 2.499 kg, libera 3.600 kg de CO2-equivalente na atmosfera, enquanto um veículo equipado com tanque de alumínio de 1.442 kg, emite 2.082 kg de CO2-equivalente. “Com esses números, observamos que embora se consuma mais energia para a extração do alumínio, outras fases como a de uso, com ganhos no consumo de combustível e emissão de poluentes, e a de reciclagem, com baixíssima emissão de carbono, fazem a escolha pelo alumínio valer a pena”, comenta Kriegel.

Alcoa Endur-Al™ Calculator
Além das ferramentas para veículos com características diversas, o mercado já oferece simuladores para produtos específicos. É o caso do simulador exclusivo, desenvolvido pela Alcoa para demonstração dos benefícios da liga ENDUR-AL, aplicada na fabricação de carrocerias de caminhões basculantes. A ferramenta simula o ganho de tara proporcionado pela tecnologia, mensurando que, com alumínio, é possível carregar entre 20% e 30% a mais de carga, já que o veículo se torna mais leve. A calculadora traz um resumo das análises financeiras  do uso da liga, comparando o investimento inicial x economia proporcionada x vida útil do veículo.

Simuladores calculam ganhos financeiros do uso do alumínio em transportes

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