3 de maio de 2017
A mais conhecida aplicação do alumínio na indústria automobilística ajuda a tornar os carros mais leves, eficientes e belos

Por André Barros | fotos: divulgação

As rodas de liga são a mais conhecida aplicação do alumínio na indústria automobilística e os primeiros modelos apareceram no mercado há mais de quarenta anos. Quando isso aconteceu, era uma época ainda sem preocupações com o consumo de combustível e emissões de poluentes – mas foi por causa do design diferenciado que as rodas de alumínio começaram a ganhar espaço nos automóveis.

Rodas de liga de alumínio

No Brasil, sua adoção, no entanto, era restrita aos chamados entusiastas devido ao custo, superior aos similares em aço. Assim, até a década de 1990 as rodas de liga de alumínio eram encontradas quase que exclusivamente no mercado de reposição, destinados aos automóveis customizados – aqueles adaptados ao gosto dos proprietários que se dispunham a investir na personalização de seus veículos. Eram raros os carros com rodas de alumínio originais: era um item restrito apenas aos modelos mais caros e luxuosos.

Flexibilidade
O alumínio garante uma maior liberdade nos desenhos das rodas – tanto que, atualmente, o item é integrado ao carro como um todo nas pranchetas dos times de designers das montadoras durante o desenvolvimento de um novo veículo.

Essa flexibilidade encontrada pelos designers na hora de projetar uma roda de liga de alumínio se deve ao processo de produção. “Enquanto o alumínio é fundido, o aço precisa ser estampado”, explica Marcus Aguiar, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

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Como na fundição o metal está no estado líquido, os detalhes e acabamentos das rodas podem ser mais trabalhados no molde. Já no processo de estampagem, a prensa oferece poucas opções. “Os detalhes e as curvas se destacam mais com o uso do alumínio, que permite obter formas que não são possíveis com o aço”, ressalta Mário Germigniane, supervisor de processos Neo Rodas, que possui fábrica em Vinhedo (SP).

Redução de peso
Se décadas atrás a discussão quanto à emissão de poluentes era praticamente inexistente, hoje esse é um ponto que vem norteando o desenvolvimento tecnológico da indústria automobilística. Isso faz com que dez entre dez montadoras mundiais busquem a redução de peso total do veículo, de modo a fazer frente às legislações cada vez mais rígidas em todo o mundo.

Diante desse quadro, as rodas de alumínio contribuem de forma decisiva na “dieta”. Tomando como exemplo uma roda de aro 15, a mais comum no mercado brasileiro, a redução no peso em comparação com modelos similares feitos de aço chega a 15%. E quando se compara modelos de raios maiores, como as usadas em carros esportivos, a diferença de peso pode chegar até a 40%.

Outras vantagens
Além da redução no peso e da maior liberdade oferecida aos designers, as rodas de liga de alumínio trazem outros benefícios aos usuários. Aguiar, da AEA, diz que elas também auxiliam na dinâmica dos veículos. “Por serem mais leves que as rodas de aço, o fabricante consegue desenvolver uma suspensão mais otimizada”, explica.

A condutibilidade térmica é outro fator que contribui para a segurança do condutor e seus passageiros: como o alumínio dissipa melhor o calor, a reação do sistema de freio acaba sendo um pouco mais rápida do que com a aplicação de aço. “Em determinadas regiões, com temperaturas elevadas e situações extremas, é o suficiente para fazer uma grande diferença”.

Além disso, em automóveis de alta performance, o design da peça contribui para dar mais espaço para os discos de freio “respirarem”, otimizando a sua refrigeração. Assim, reduzem o risco de superaquecimento (e consequente perda de eficiência), melhorando a segurança e também diminuindo o desgaste de todo o sistema de freios e também dos pneus.

Al-Si
Na produção de rodas de liga leve de alumínio, são utilizadas basicamente duas ligas:

– A413 (AlSi – 4XXX), conhecida no mercado automobilístico como Silício 11, que contém de 86-88% de alumínio, 11-13% de silício e o 1% restante formado por uma mistura de outros metais.

– A356 (AlSiMg – 3XXX), conhecida no mercado automobilístico como Silício 7,  que contém de 91,1-93,3% de alumínio; 6,5-7,5% de silício; 0,2-0,45% de magnésio, além de outros metais como cobre, ferro e titânio. Ela pode receber o tratamento térmico de endurecimento, resultando em produtos com maior resistência à fadiga em relação à A413.

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“O que basicamente diferencia os produtos de um fabricante para o outro é a mistura desses outros metais à base de alumínio e silício”, explica Jean Lucas Isottoni, designer da Scorro, fornecedora de rodas de alumínio para o mercado de reposição com fábrica em Mairinque (SP). Ele explica que carros de competição, como os de Fórmula 1 ou do Campeonato Mundial de Endurance (WEC), usam rodas que utilizam magnésio no lugar do silício. “Isso ajuda a reduzir o peso do componente em até 40%. Mas, por outro lado, o custo é exponencialmente mais elevado.”

Germigniane, da Neo Rodas, informa que algumas empresas chinesas começaram a testar ligas com maior uso de magnésio, visando sua utilização em produtos de linha regular. “Mas, por enquanto, nenhuma montadora adotou e, em todo o mundo, basicamente são usadas a Silício 7 e Silício 11”, afirma.

Flowform
Se não há grandes novidades no que diz respeito às ligas, vários fabricantes na Europa e nos Estados Unidos já vem adotando um novo processo produtivo chamado Flowform. A novidade consegue produzir rodas de um mesmo aro para pneus de larguras diferentes.

 

Nele, segundo Isottoni, da Scorro, prensas rotatórias conseguem “esticar” essa área da roda até se alcançar o tamanho desejado. “Vale dizer que cada molde custa em torno de R$ 100 mil”, conta o designer.

Por ser um processo que demanda a aquisição de maquinário específico, sua viabilidade financeira depende de uma produção em larga escala ainda não conquistada no mercado brasileiro. Por isso a flowform ainda não chegou às fabricantes nacionais – e nem Isottoni, nem Germigniane arriscam prever quando será adotada por aqui.

Panorama atual
As rodas de liga de alumínio, hoje em dia, tem a sua aplicação bastante popularizada dentro da indústria brasileira. “As rodas de alumínio já representam mais da metade dos modelos vendidos se considerarmos a faixa dos modelos médios para cima”, conta Marcus Aguiar, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Entre os populares, porém, ainda são minoria – mas, no bolo total, já alcançaram um patamar significativo.

A Neo Rodas (antiga Alujet, que comprou a tradicional marca Binno), estima que 45% dos carros de passeio, picapes e utilitários esportivos comercializados no mercado brasileiro em 2017 devem sair de fábrica com conjunto de rodas de liga leve de alumínio. Em números absolutos, serão quase 4 milhões de unidades equipando automóveis vendidos no Brasil.

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Já quando o assunto é design, a preferência nacional é clara. “Os brasileiros gostam de modelos escuros com acabamentos diamantados” diz Germigniane, da Neo Rodas, fornecedora de várias fabricantes no Brasil. Isottoni, da Scorro, que foca no mercado de reposição, concorda. “Essa é, sem dúvida, a tendência do momento no mercado nacional”.

Manutenção
O Centro de Experimentação e Segurança Viária (CESVI) não recomenda a reparação de trincas e rachaduras nas rodas de alumínio, sob o risco de perda repentina de pressão do pneu – o que pode levar à perda do controle do veículo. Ou seja, caso seja detectado qualquer tipo de fenda, é necessário fazer o descarte da roda.

No entanto, em situações de riscos ou arranhões, ou pequenos amassados, é possível fazer o reparo sem problemas. “Quando uma roda de aço amassa, o disco costuma romper. Na de alumínio, por causa da tenacidade do metal, ela não quebra. Então quando ela amassa, se não romper ou rachar alguma parte, é possível consertar”, explica Isottoni, da Scorro.

Rodas de liga de alumínio
8 comentários sobre a matéria:
  • 26/05/2017 em 11:17

    estou montando loja de reformas de rodas e queria colocarumas novas pra vender tambem como faço

    Responder
  • 11/08/2017 em 06:03

    Sou revendedor de rodas liga leve, como faço para adquirir produtos de vcs ?

    Responder
  • 08/10/2017 em 12:44

    Estou montando uma loja e gostaria de um representante ou contato.

    Responder
  • 24/10/2017 em 11:01

    moro em sorocaba/sp e quero comprar par de rodas de lg leve. meu carro hb20 1.6 hatch e quero adquirir aro 16…

    Responder
  • 26/06/2018 em 19:03

    Boa noite.
    Vocês fazem desempenos em rodas?
    A empresa está localizada onde?

    Responder
    • 28/06/2018 em 14:46

      Caro Renilton, a ABAL não presta nenhum tipo de serviço de manutenção de rodas. Por gentileza, tente contato com as fabricantes citadas na reportagem (http://www.neorodas.com.br/ e http://www.scorro.com.br/), possivelmente eles possam lhe fazer alguma recomendação.

      Obrigado pela sua audiência

      Responder

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