20 de abril de 2016
Novidades abrem caminho para os silos rodoviários em alumínio no mercado brasileiro

Por Marcio Ishikawa |

De acordo com a European Aluminium Association (EAA), a maior parte dos tanques de combustível e silos rodoviários produzidos ao redor do planeta hoje em dia já é feita de alumínio. No Brasil, esse é um cenário ainda distante – nesse quesito nós estamos atrás até mesmo dos nossos vizinhos argentinos – mas há sinais positivos surgindo no horizonte.

As vantagens do alumínio nos implementos rodoviários já foram abordadas aqui no Aluauto. A principal delas é o aumento da capacidade de carga em relação aos similares em aço, devido à redução da tara, permitindo que uma quantidade maior de produto seja transportada, aumentando o lucro por frete. Além disso, dentre outras vantagens, há uma redução nos custos de rodagem, visto que o consumo de combustível e também de pneus é menor no período em que não há carga completa sendo transportada; como o alumínio é resistente à oxidação, sua vida útil será maior do que um similar em aço, dispensando inclusive a pintura protetiva. E, ao final da sua vida útil, ele terá um maior valor residual na reciclagem. (Leia mais aqui e aqui)

Lançamento
“No Brasil, o alumínio é bem difundido em setores como o de construção civil e embalagens, mas ainda pouco conhecido no ramo de transportes”, afirma Josué Araújo, gerente de engenharia de produto da Noma. A empresa, no final do ano passado lançou o novo bitrem silo em alumínio, indicado para o transporte de cimento, cal, talco industrial ou outros materiais que usam sistema de descarga por pressurização. É o segundo implemento em alumínio no portfólio da empresa – o primeiro foi o Rodotrem Basculante, lançado em 2013.

Os dois projetos são fruto de uma parceria com o grupo italiano Menci, iniciada em 2011. “É uma fabricante italiana que tem grande tradição na fabricação de implementos em alumínio”, explica Araújo sobre o parceiro. “Com o lançamento do bitem silo-cimento, nós buscamos oferecer produtos cada vez mais leves, resistentes e de menor custo operacional”. Para ele, a tendência do mercado é de voltar-se para o alumínio a médio prazo.

O bitrem silo-cimento é capaz de transportar três toneladas adicionais em relação aos concorrentes em aço, graças à redução na tara do implemento. Devido à precariedade da malha rodoviária brasileira, principalmente fora do eixo Sul-Sudeste, foram necessárias algumas adaptações, como reforços dos componentes da suspensão e o uso de aços de alta resistência no chassi, mas para garantir leveza, tanto a estrutura como a caixa são 100% em alumínio.

Bitrem Silo-cimento leva três toneladas a mais de carga em relação ao similar em aço
Bitrem Silo-cimento leva três toneladas a mais de carga em relação ao similar em aço

Outro ponto crucial do projeto diz respeito à manufatura dos produtos. “Foi necessário criar uma estrutura totalmente nova de produção, além de desenvolver os processos de soldabilidade e fixação do alumínio, que eram uma novidade para nós”, relembra Araújo. “Embora tenhamos o apoio da Menci, ajustamos uma série de parâmetros em função de diferenças climáticas e também das próprias características da mão de obra nacional.”

Mas, segundo o gerente de engenharia, o desenvolvimento ou a produção não representam o principal desafio, que se encontra na ponta final da cadeia. “Um implemento rodoviário em alumínio não é um produto que possa ser introduzido de forma rápida e repentina no mercado. Trata-se de um trabalho consistente e persistente. É uma venda altamente técnica”, avalia. “Para que o cliente assuma o investimento inicial maior, é preciso fazer com que ele enxergue claramente os ganhos e o retorno que ele terá. E isso ainda varia de acordo com o produto com o qual ele trabalha. Mas o feedback que temos dos primeiros clientes é extremamente positivo e isso deve contribuir para sua popularização.”

Consumo interno
E foi exatamente de olho na comprovação prática das vantagens do uso de implementos em alumínio que a Votorantim Metais implantou o seu projeto do silo semirreboque em “V”. A iniciativa teve início em 2013 e um protótipo está circulando em testes internos nas fábricas da Votorantim desde setembro de 2015, transportando óxido de alumínio, acumulando mais de 32 mil quilômetros rodados.

Com exceção dos eixos rodantes e do sistema de freios, o silo é todo em alumínio – cujo uso intensivo proporcionou uma redução de 2,5 toneladas na tara do implemento (6,3 toneladas contra 8,8 toneladas do similar em aço), permitindo que o mesmo peso seja acrescido em carga útil. Além do ganho na capacidade de transporte, o protótipo obteve redução de 18% no consumo de combustível e, de acordo com os ensaios dinâmicos, sua vida útil é superior a 30 anos. Para o projeto, a empresa desenvolveu perfis extrudados especiais de alta resistência com a liga 6351 aplicados na estrutura, enquanto a caixa é construída com laminados do portfólio da empresa, na liga 5052.

Em fase final de testes, protótipo de silo em alumínio roda nas fábricas da Votorantim Metais
Em fase final de testes, protótipo de silo em alumínio roda nas fábricas da Votorantim Metais

“Aqui no Brasil, as vantagens do implemento em alumínio são conhecidas apenas na teoria”, diz Heber Pires, gerente de Marketing e Inovação Técnica da Votorantim Metais. “Mas vimos que poderíamos aproveitar nossa própria demanda interna, na Votorantim Cimentos, para coletar dados e apresentarmos números concretos ao mercado nacional”. As avaliações de resistência mecânica e fadiga já foram concluídas com sucesso e, atualmente, o protótipo está em fase de comprovação da superior eficiência operacional, com os testes se estendendo até o final de abril. Mas o gerente confirma que os resultados preliminares são muito animadores, com aproximadamente 8% de carga transportada a mais que os implementos convencionais em aço.

A primeira fase do projeto foi realizado em parceria com a Brucal, responsável pela engenharia do implemento, enquanto a Votorantim Metais se responsabilizou pela engenharia do alumínio. Em breve serão construídos mais dois protótipos, que devem estar rodando até o final do ano. A principal novidade dessa segunda fase é que os silos não rodarão apenas dentro das instalações da empresa, mas transportarão cimento pelas ruas e estradas de todo o território nacional. A meta final é que a Votorantim tenha uma frota com 50 silos em alumínio rodando regularmente.

Nesse meio tempo, o silo deve ser disponibilizado no mercado e a aplicação do alumínio ampliada para outros tipos de implementos. “Não seremos personagens do ditado casa de ferreiro, espeto de pau”, brinca Pires, finalizando a entrevista. “Teremos um case robusto e ninguém poderá questionar: se o alumínio é tão bom assim, por que vocês não usam? Nós estaremos utilizando e comprovando as suas vantagens. Assim, esperamos superar uma das grandes barreiras para o uso do alumínio, que é a compreensão dos significativos ganhos a longo prazo.”

Veterano basculante
Já a Rhodoss produz o silo basculante em alumínio desde 2007. Toda a caixa de carga “o silo propriamente dito” é construída com o metal, assim como os bocais de carga e descarga, passarelas, suportes do cilindro hidráulico e berço traseiro, que são diretamente soldados nela. São aplicadas ligas de alumínio-magnésio que ampliam a resistência mecânica e permitem reduzir as espessuras, tornando o produto ainda mais leve, sem diminuir sua segurança e durabilidade.

Silo basculante da Rhodoss: vantagens para o usuário graças à característica asséptica do alumínio
Silo basculante da Rhodoss: vantagens para o usuário graças à característica asséptica do alumínio

O silo basculante, com volume de 65m3 e capacidade de carga de até 34 toneladas, foi inicialmente projetado para o transporte de polipropileno granulado, que é usado em injeção de plástico. Mas suas características o levaram a também ser adoado no transporte de alimentos (farinha, amido, açúcar, cereais em grãos), oferecendo muitas vantagens em relação aos implementos graneleiros tradicionais.

A Pepsico utiliza o silo basculante da Rhodoss para o transporte de milho em grãos, usados na produção dos salgadinhos da Elma Chips. “Como este tipo de implemento protege completamente a carga do meio externo, elimina a possibilidade de contato com insetos, poeira ou umidade, e também de perdas durante o transporte”, explica Kimio Mori, gerente de marketing do grupo Rodolínea, do qual a Rhodoss faz parte. Ele ainda lembra o caráter asséptico do alumínio, que suprime a possibilidade de contaminação e, também, facilita a limpeza. “Além disso, o sistema basculante faz com que a descarga seja feita realizada sem a necessidade de contato manual.”

O sistema de pressurização é responsável por conferir a rigidez necessária ao silo para não deformar durante o basculamento com carga. “O descarregamento só pode começar após a pressurização completa da caixa de carga. Só depois é que é feito o acionamento do basculamento em 5 estágios”, explica Mori. “Sem a pressurização interna, o silo deformaria no centro com o início do basculamento”.

Outros fabricantes de silos rodoviários em alumínio:

– Metalesp Implementos
– Rodotécnica
– Kronorte
– Recrosul
– Triel-HT

Primeiros passos
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