1 de junho de 2017
Documento da Aluminum Association detalha os tipos de corrosão mais comuns no alumínio automotivo e as medidas de prevenção

Por Marcio Ishikawa |

A resistência à corrosão é uma das vantagens que o alumínio oferece quando comparado ao aço nas aplicações automotivas. No entanto, isso não quer dizer que a corrosão do alumínio não aconteça. Por isso, o  Grupo de Transportes de Alumínio da Aluminum Association (AA) publicou o relatório Aluminum Corrosion – Types and Prevention.

Corrosão do alumínio

Nele são relatados os três principais tipos de corrosão do alumínio que podem afetar as peças automotivas – corrosão por fenda, galvânica e filiforme. O documento, que ganha importância com o aumento significativo no uso de ligas de alumínio nos últimos anos na indústria automobilística, detalha ainda as recomendações preventivas para a sua produção e instalação nos veículos.

Migração de elétrons
A corrosão é um processo, na grande maioria das vezes químico ou eletroquímico, de degradação de material pela ação do meio ambiente”, explica Gyorgy Henyei Jr., engenheiro de materiais e chairperson do Comitê de Manufatura Logística e Qualidade da SAE Brasil. “Ocorre pela diferença de potencial, o que faz com que elétrons migrem do material que está sendo corroído.”

A resistência natural do alumínio contra a corrosão é explicada pela delgadíssima camada de óxido de alumínio (Al2O3) que se forma quando o alumínio líquido entra em contato com o ar/umidade. Com espessura de aproximadamente cinco nanômetros e grande adesão à superfície, essa película funciona como uma proteção natural. O óxido de alumínio se dissolve quando em contato com determinadas substâncias químicas, com pH muito baixo ou elevado – com algumas exceções, o filme é estável numa faixa de pH de 4,0 a 9,0.

“O alumínio tem uma resistência muito maior à corrosão do que o aço, por exemplo, mas isso não quer dizer que ele esteja imune a esse processo”, diz Henyei Jr. “De toda forma, esse é um dos motivos que faz com que a vida útil das peças em alumínio seja mais longa.”

O documento da AA ressalta que os problemas de corrosão do alumínio são, quase que em sua totalidade, superficiais e de natureza cosmética, influenciando apenas na retenção da pintura – sem a penetração na espessura do material ou o enfraquecimento de sua integridade estrutural.

Corrosão galvânica
A corrosão galvânica ocorre quando um metal está em contato com outro metal dissimilar ou um condutor não metálico (por exemplo, carbono em buchas de montagens) e a junta é exposta a um eletrólito, como a água do mar. Ocorre, então, a corrosão do metal mais ativo – ou menos nobre. Um dos exemplos mais comuns de corrosão galvânica nas aplicações automotivas envolve as ligas de alumínio em contato com aço exposto. Por exemplo, uma porca de aço sem revestimento em contato com uma chapa de liga de alumínio.

Corrosão do alumínio - corrosão galvânica

A imagem mostra que a região corroída tem aproximadamente o formato da porca de aço em contato com o alumínio. A taxa da corrosão galvânica é muito lenta, demandando muitas horas de exposição ao eletrólito antes que qualquer corrosão se torne visível.

Segundo a AA, para a ocorrência da corrosão galvânica é necessário:

– Contato entre superfícies não protegidas de dois metais dissimilares – alumínio e aço, por exemplo.
– A presença de líquido corrosivo na junta
– Passagem de corrente elétrica através da junta

Para evitar/eliminar a corrosão galvânica, o documento recomenda:

– Eliminar qualquer contato entre metais dissimilares através do uso de revestimento, materiais selantes ou pintura, anilhas para isolamento de componentes elétricos
– Evitar a exposição das juntas a eletrôlitos, como água do mar, através do uso de selantes adesivos e primers

Corrosão filiforme
A corrosão filiforme ocorre na superfície do alumínio, abaixo da pintura, primers ou revestimentos. Suas consequências são apenas cosméticas, uma vez que a corrosão do alumínio fica limitada à área superficial, resultando em falhas na pintura ou outro acabamento, provocando a sua separação da superfície metálica.

Corrosão do alumínio - corrosão filiforme

Esta forma de corrosão ocorre como pequenos filamentos, preenchidos com produtos da corrosão (pó branco) e tipicamente começa ao redor de uma falha na pintura ou revestimento, ou de um dano provocado por pedras ou outros objetos com bordas afiadas.

Segundo a AA, para a ocorrência da corrosão filiforme é necessário:

– Superfície de alumínio revestida ou pintada
– Danos na superfície do revestimento que permita a penetração de líquido abaixo do revestimento
– Presença de líquido corrosivo (tipicamente água do mar)

A corrosão filiforme tipicamente ocorre em ambientes úmidos e quentes e é mais comum em áreas costeiras ou industriais. Como medidas preventivas, a AA recomenda:

– Limpeza integral da superfície antes da aplicação de qualquer revestimento
– Aplicação de proteção contra corrosão
– Inspeção e eliminação de defeitos de superfície, como por exemplo poros, danos mecânicos, bolhas de ar, cobertura insuficiente

Peças pintadas de alumínio com corrosão dessa natureza podem ser reparadas com a remoção do revestimento e da corrosão por jateamento, seguido pela aplicação da pintura ou de materiais de acabamento.

Corrosão por fenda
A terceira forma mais comum de corrosão do alumínio pode ocorrer em fendas nas juntas, nas quais se acumulem líquidos corrosivo (como a água do mar), fazendo contato com as duas superfícies unidas. As superfícies de contato podem ser de alumínio, alumínio com aço, ou alumínio e plástico.

Geralmente, trata-se de uma corrosão não profunda, que ocorre abaixo de juntas, soldas, junções de material sobrepostas ou dobras. Alguns fatores, como temperaturas elevadas ou a concentração salina no líquido, podem acelerar a corrosão.

De acordo com o documento da AA, para a ocorrência da corrosão filiforme é necessário:

– A existência de fendas entre as superfícies dos dois materiais unidos – alumínio, aço, plástico
– A presença, nessa fenda, de líquido corrosivo (tipicamente água do mar)

Como medidas preventivas são recomendados o uso de primers resistentes à corrosão e o uso de seladores para prevenir a entrada de líquidos nas juntas.

Prevenção contra a corrosão
Um comentário sobre a matéria:
  • 01/05/2018 às 12:43

    Estou fazendo uma pesquisa sobre uma corrosao que ocorreu em uma estrutura de aluminio. A mesma é muito similar a corrosao filiforme apresentada nessa pagina. Gostaria , se possivel, me enviar mais material sobre o assunto.
    Obrigado,

    Prof. Eng. Bianco Gallazzi
    Escola de Engenharia de Piracicaba (PIRACICABA-SP)
    Faculdades Integradas Einstein (LIMEIRA-SP)

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *