17 de agosto de 2016
A participação dos caminhões tanque de alumínio no mercado brasileiro é pequena, mas o jogo pode virar muito em breve

Por Marcio Ishikawa |

Segundo dados da Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), dos 1398 emplacamentos de tanques reboques e semi-reboques realizados entre janeiro e junho de 2016 no Brasil, 1042 eram de aço carbono, 342 de aço inox e apenas 14 de alumínio. É uma situação completamente oposta ao cenário mundial, onde a maioria desses implementos, destinados para o transporte rodoviário de combustíveis e produtos químicos é, atualmente, produzida totalmente em alumínio, de acordo com dados da European Aluminium Association (EAA).

No mercado nacional, o principal obstáculo para o uso intensivo do alumínio nos tanques para transporte de combustível (e nos implementos rodoviários em geral) reside no mito de que produtos feitos com esse metal são caros. “É verdade que o investimento inicial dos caminhões tanque em alumínio é maior que os similares em aço carbono”, diz Marciano Dalla Rosa, diretor industrial da Triel, que produz tanques em alumínio e também em aço-carbono. Mas, segundo o executivo, o consumidor precisa fazer uma análise mais criteriosa da relação custo-benefício e não tirar conclusões apenas a partir do preço de aquisição do produto. “A redução da tara possibilita ao cliente uma maior capacidade de carga de combustível. Em alguns projetos estamos conseguindo transportar até 3.500 litros a mais com a mesma configuração de carga que um tanque em aço. E esse diferencial tem um grande impacto na relação custo-benefício e viabiliza o retorno sobre o investimento em um período mais curto de tempo.”

tanque-alumínio

Apesar dessa questão cultural do mercado brasileiro, a perspectiva é de que esse cenário mude por aqui muito em breve, de acordo com Fernando Wongtschowski, gerente de Marketing e Desenvolvimento de Produto da Novelis, fornecedora de chapas para a produção dos tanques. “O Brasil tem uma grande tradição e enorme potencial no transporte rodoviário. Ao mesmo tempo, estamos certos de que a demanda por mais eficiência irá aumentar nos próximos anos, fazendo com que as empresas busquem opções mais vantajosas para suas operações”, explica, lembrando que o alumínio ainda oferece outros benefícios além da redução de peso.

Case de sucesso – As principais vantagens dos implementos rodoviários em alumínio foram apresentados no último Congresso Internacional do Alumínio, evento organizado pela ABAL, na palestra “Ganhos logísticos com alumínio: Casos de sucesso no transporte rodoviário de carga”, ministrado por Marcelo Gonçalves, sócio-diretor da Alpina Consultoria. Um dos destaques da apresentação foi o caso do caminhão tanque em alumínio desenvolvido pela Heil Trailer em parceria com a Novelis.

O implemento em alumínio, do tipo Vanderléia, pesa 2,25 toneladas a menos que o similar em aço (apenas 7450 Kg contra 9700 Kg), o que permite que ele transporte até 10% de carga a mais por viagem. Ou seja, o mesmo volume de produto que é transportado em dez viagens do tanque de aço é levado em apenas nove viagens do implemento em alumínio.

O estudo considerou uma média um pouco inferior (49 m3 do tanque em alumínio contra 45 m3 do tanque em aço carbono) e uma rotina de dez viagens mensais, rodando no total 10 mil km (120 mil km/ano), e um frete de R$120/m3. A diferença na lucratividade anual de um único caminhão tanque pode superar os R$ 57 mil.

Comparativo de caminhões tanque Alumínio Aço-carbono diferença
Tara (Kg) 7450 9700 – 2250
Volume transportado (m3/mês) 5880 5400 480
Frete tanque carregado (R$/mês) 705600 648000 57600

Além da vantagem no que diz respeito ao faturamento, a leveza do alumínio proporciona economia na operação. Na viagem de volta, quando está descarregado, ele permite que a média do consumo de combustível seja 5% menor. Além disso, há benefícios diretos no que diz respeito à manutenção, tanto da caixa de carga em si, pelo fato de o alumínio ser intrinsecamente resistente à corrosão e, assim, dispensar pintura protetiva, como dos elementos de rodagem, como pneus, suspensão e freios, que sofrem menor desgaste quando o caminhão roda sem usar sua capacidade máxima de carga. A eficiência no estudo é calculada em 10% e as despesas são reduzidas na mesma proporção. Em um ano, essa economia pode chegar a mais de R$ 26 mil.

Economia com caminhão tanque em alumínio Equipamento/ano, em R$
Manutenção por conjunto 12800
Consumo de combustível 10667
Pneus 2607
Total 26074

Dalla Rosa, da Triel, destaca ainda outro benefício proporcionado pelo fato do alumínio ser resistente à corrosão. “O tanque de alumínio evita a contaminação do combustível ou de outros produtos químicos com o óxido de carbono, como acaba acontecendo em tanques de aço”, diz.

Segurança – A apresentação de Gonçalves ainda ressalta outros benefícios do implemento em alumínio que vão além da parte econômica. Primeiro, como o consumo de combustível está diretamente relacionado à emissão de CO2, um veículo mais leve emite menos gases que provocam o efeito estufa – em 500 mil km de vida útil, em média, um caminhão tanque de alumínio, nas condições típicas de operação consideradas no exemplo já mencionado, deixa de emitir 616 Kg de CO2.

O segundo fator diz respeito à dirigibilidade do caminhão quando o tanque está vazio. Como é mais leve que o similar em aço, o tanque de alumínio faz com que o centro de gravidade de todo o conjunto fique mais baixo, pois há menos peso posicionado acima do chassi e dos eixos. E um centro de gravidade mais baixo equivale a um veículo com mais estabilidade – e, portanto, mais segurança -, principalmente em curvas e manobras de emergência.

Já o terceiro fator diz respeito à maior segurança em caso de acidentes. Wongtschowski, da Novelis, ressalta essa como uma das vantagens mais importantes do tanque de alumínio. “As chapas utilizadas na produção desse tanque são produzidas com um processo de laminação a frio, utilizando liga da série 5xxx, que possui alta resistência mecânica”, destacando que isso, aliado a alta capacidade de absorção de impacto do alumínio, reduz o risco de vazamentos em caso de acidentes, em comparação com o equipamento em aço em caso de acidentes. “Além disso, vale lembrar também que o alumínio não emite faíscas quando atritado e, em contato com o asfalto, reduz drasticamente a chance de explosões mesmo que ocorra algum vazamento.”

Argentina – A tendência da utilização de tanques de alumínio já se verifica também em países em desenvolvimento, como a nossa vizinha Argentina. De acordo com Everaldo Santa Cruz, diretor da Heil Trailer do Brasil (empresa presente na Argentina desde 1998 e que iniciou atividades no mercado brasileiro há três anos), embora não exista nenhuma lei que imponha o uso de tanques de alumínio na Argentina, eles representam mais de 90% do mercado. “Principalmente as pretrolíferas fazem uso dos tanques de alumínio, por uma questão de segurança dos funcionários e, também, pela economia a longo prazo que é obtida”, explica o executivo.

Uma fiscalização mais efetiva do peso dos caminhões é um ponto essencial apontado por Santa Cruz. “Para que o tanque de alumínio seja efetivamente vantajoso, é necessário também que a fiscalização seja firme”, explica “Se as carretas com tanques de aço que ultrapassarem o limite de peso não forem punidas, não haverá atrativo econômico suficiente para que uma empresa se adapte à nova realidade e utilize o produto de alumínio.”

Se é fato que a participação dos produtos em alumínio é pequena, tanto no nicho dos tanques de combustível, como no setor de implementos rodoviários em geral, por outro lado as vantagens do alumínio são bastante evidentes, como mostra a tendência mundial. A conclusão mais positiva é que o mercado brasileiro, dessa forma, possui um enorme potencial para os produtos em alumínio.

Empresas que comercializam tanques de alumínio no mercado brasileiro:

Heil Trailer
Kronorte
Liess Máquinas e Equipamentos
Noma do Brasil
Rhodoss Implementos Rodoviários
Rodotécnica – Indústria de Implementos Rodoviários
Triel HT

Potencial rodoviário
2 comentários sobre a matéria:
  • 15/06/2017 em 23:14

    A Biasi também fabrica tanques em alumínio.

    Responder
  • 04/06/2018 em 16:27

    Sou consultor técnico de uma empresa que vai implantar um terminal de combustíveis derivados de petróleo em São Sebastião -SP e esta interessada na compra de 50 caminhões tanques com capacidade de 45m3, carregamento botton leading, com tanques em alumínio e todo sistema de segurança, com cavalo mecânico nacional e com assistência Técnica em todo território nacional. Caso Haja interesse favor enviar informações técnica e folder’s, prazo de entrega e valor do tanque e do Cavalo separadamente.

    Responder

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