13 de julho de 2018
Relatório da Bloomberg New Energy Finance prevê que e-Buses devem atingir 84% de participação em 2030, contra 28% entre automóveis

Por Marcio Ishikawa |

O mais recente relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) sobre veículos elétricos prevê que a eletrificação do transporte rodoviário irá aumentar seu ritmo a partir de 2025, principalmente em função da queda no custo das baterias e da fabricação em larga escala. E, nesse processo, os ônibus elétricos devem avançar com mais rapidez, com participação nas vendas globais chegando a 84% em 2030 – contra 28% entre os automóveis.

ônibus elétricos - relatório BNEF

O principal motivo do rápido avanço dos ônibus elétricos está nos custos. De acordo com a análise da BNEF, já a partir de 2019, os ônibus elétricos, nas várias configurações de recarga disponíveis, já terão um custo de propriedade menor que os ônibus convencionais de transporte urbano municipal. A China lidera o ranking – no país asiático, já há mais de 300 mil ônibus elétricos em operação.

“A previsão de crescimento para os ônibus elétricos é a principal novidade do nosso relatório”, disse Colin McKerracher, analista líder de Transporte Avançado da BNEF. “E a China lidera esse segmento de ônibus elétricos forma espetacular, sendo responsável por nada menos que 99% do mercado global em 2017”.

Em algumas cidades chinesas, toda a frota de ônibus urbanos já é totalmente eletrificada. O país se destaca no cenário internacional por uma série de políticas – nacionais, regionais e municipais – de incentivo aos veículos elétricos. É esperado que o restante do mundo siga esse exemplo e que, em 2040, mais de 80% da frota circulante de ônibus municipais no mundo seja movida a eletricidade.

Previsões gerais
Segundo a BNEF, as vendas globais de automóveis elétricos deve saltar de 1,1 milhão de unidades, número registrado em 2017, para 11 milhões em 2025. A partir desse momento, os modelos elétricos devem passar a ganhar vantagens em relação ao custo sobre os automóveis equipados com motor de combustão interna (ICE – internal combustion engine), o que deve proporcionar um salto, em apenas cinco anos, para 30 milhões de unidades em 2030. A venda de automóveis ICE deve, a partir de então, começar a declinar.

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Já em 2040, a expectativa dos analistas da Bloomberg New Energy Finance é que os elétricos assumam a maioria das vendas, chegando a 55% do mercado de veículos leves. Foi um pequeno incremento em relação à previsão geral do relatório anterior, divulgado em 2017, que era de 54%. “O desenvolvimento obtido ao longo dos últimos 12 meses, assim como o planejamento de novos modelos anunciados pelos fabricantes e as novas legislações voltadas para conter a poluição urbana, reforçaram nossa visão otimista em relação aos veículos elétricos”, disse McKerracher.

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O ritmo da eletrificação vai variar de país para país, principalmente na próxima década, em que alguns mercados devem pular na frente de outros. Veja, abaixo, a previsão da BNEF para alguns mercados em relação à participação dos veículos elétricos nas vendas em 2030:

Europa – 44%
China: 41%
Estados Unidos: 34%
Japão: 17%

Os analistas prevêem, por exemplo, que questões relacionadas à infraestrutura farão com que a Índia fique para trás, ao menos nesse primeiro momento, com apenas os elétricos representando apenas 7% da vendas.

Outros pontos
Como não poderia ser diferente, o avanço dos veículos elétricos provocará impacto na demanda de energia elétrica – Automóveis e ônibus elétricos devem utilizar cerca de 2 000 TWh em 2040, o que representa um aumento de 6% na demanda global de eletricidade.

Como eventuais obstáculos e pontos de atenção, o relatório aponta o aumento consumo de metais como lítio e cobalto, resultado do crescimento da eletrificação, como possível impeditivo para a redução no custo dos veículos elétricos. O outro ponto é o desafio sempre apontado em qualquer análise do gênero, a questão da infraestrutura de recarga.

Outro fator citado pelo relatório é o da mobilidade compartilhada, que deve ver a frota subir dos atuais 5 milhões de veículos para mais de 20 milhões em 2040 – dos quais 90% devem ser elétricos.

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