10 de julho de 2012
Apesar de demandar maior investimento, o semirreboque produzido em metal leve traz retorno mais rápido e é mais lucrativo

Alexandre Akashi |

Rentabilidade. Esse é o nome do jogo para quem trabalha com transporte de carga. Sua conquista pode ser obtida de diversas formas, entre as quais pelo peso do implemento. Estudo realizado pela ABAL (Associação Brasileira do Alumínio) com a colaboração da NTC & Logística (Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística) mostrou as vantagens econômicas do uso do alumínio em semirreboques tipo graneleiro, com números impressionantes.

O primeiro foi a diferença de rentabilidade. O lucro mensal de um único implemento de alumínio é pelo menos 3 vezes superior ao obtido com um graneleiro de aço. Após 10 anos de operação, o lucro adicional permite, por exemplo, a aquisição de 2,7 novos semirreboques de alumínio. Isso para apenas um veículo. Se uma frota de caminhões for considerada a vantagem é ainda maior.

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Lucro adicional estimado de um semirreboque de alumínio, em comparação com um de aço, em função da quantidade de caminhões, em 10 anos de operação

Pelo menos é o que aponta o estudo, coordenado pelo PhD Marcelo Gonçalves, da Alpina Consultoria, que apresenta ROI 2,2 vezes mais rápido do semirreboque de alumínio. “O tempo para recuperar a diferença do maior investimento inicial é de apenas 8,6 meses. O graneleiro de alumínio se paga após cerca de 30 meses de operação. Já o implemento de aço leva mais de 68 meses para retornar o investimento”, explica Gonçalves.O segredo é simples. Um semirreboque graneleiro com uso intensivo de alumínio é mais leve que um de aço. Com isso, entre outras vantagens, consegue levar mais carga por viagem, o que aumenta a rentabilidade do transportador. É certo que o implemento fabricado no metal leve tem custo de aquisição maior, porém este valor é diluído na operação e o retorno do investimento (ROI) é mais rápido.

O estudo levou em consideração os seguintes fatores estimados para efeito de comparação: diferença de custo entre um implemento novo de aço e um de alumínio de 39% (em favor do aço, mais barato); diferença de peso de 22% (em favor do alumínio, mais leve) e grau de ocupação do veículo de 69,6% (de um total de 336 horas de trabalho por mês), supondo ainda que o caminhão roda vazio em aproximadamente 25% do tempo de utilização. “Fizemos parceria com a NTC & Logística, que desenvolveu um programa específico para cálculo de custos de frete para transporte de carga, aplicável à realidade das condições brasileiras”, afirma Gonçalves.

Na prática
Os números do estudo apresentado por Gonçalves são entusiasmantes. Porém, ainda é preciso divulgar massivamente as vantagens do investimento na aquisição de implementos mais leves. A lógica é que quanto menos peso o implemento tiver, mais carga ele consegue levar por viagem, e assim aumentar a rentabilidade de frete sem exceder os limites rodoviários de peso estabelecidos pela Lei da Balança. Além disso, quando o veículo estiver rodando vazio ou usando apenas parte da capacidade de carga, os custos operacionais também serão inferiores, devido ao menor consumo de combustível e menor desgaste do conjunto freios, pneus, suspensão.

Esta é a conta que o diretor de Relações com o Mercado da Noma do Brasil, Kimio Mori, defende. A Noma do Brasil, depois de anos de estudos e testes de diversos tipos de painéis laterais, desenvolveu o Ecotech, formado por duas placas de alumínio de 0,5 mm de espessura com um recheio de polímero, que é parafusado na estrutura do semirreboque.

Ao equipar o graneleiro bitrem com os painéis Ecotech o ganho de peso sobre o melhor produto da concorrência, de acordo com Mori, é de 380 kg. “Em um frete de soja da cidade de Luis Eduardo Magalhães (BA) ao Porto de Aratu, Candeias (BA), em que o valor pago por tonelada é de R$ 91,38, o ganho por viagem é de R$ 34,72. Se o transportador realiza oito viagens por mês, o ganho adicional no período é de R$ 277,76. Anualmente, isso se multiplica para R$ 3.333,12”, calcula Mori.

Esses valores resultam apenas da aplicação dos painéis Ecotech, que fazem uso do alumínio. A lucratividade do semirreboque poderia ser muito superior se o a carroceria fosse 100% em alumínio, mas Mori ainda destaca outros benefícios do metal leve “maior resistência à corrosão, maior durabilidade, barreira absoluta a absorção de umidade e odores, não apodrece, apresenta aparência e acabamento superiores, garante melhor vedação das tampas laterais e ainda dispensa pintura”.

Para Gonçalves também está claro que a leveza não é a única vantagem do alumínio na fabricação de implementos rodoviários. “A redução de peso do semirreboque obtida pelo uso do alumínio gera uma maior capacidade de carga, que resulta assim em maior potencial de lucro. No entanto, as análises feitas junto ao NTC mostram que mesmo se não houver redução de peso – se os implementos de aço e de alumínio tiverem o mesmo peso – o semirreboque de alumínio ainda apresenta lucro superior ao de aço. O lucro com o implemento de aço só vai empatar com o de alumínio se esse último for 80 kg mais pesado”.

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Lucro adicional estimado de um semirreboque de alumínio, em comparação com um de aço, em função da diferença de peso entre os implementos, após 10 anos de operação.

Em produtos Randon, como as carrocerias furgão carga geral, semirreboques furgão carga geral e carrocerias de bebidas, a utilização de alumínio é muito grande. “Como exemplo, temos em nosso portfólio as carrocerias de bebidas 100% em alumínio, que garantem leveza e excelente durabilidade”, o coordenador de Marketing.O coordenador de Marketing da Randon, Daniel Melo, afirma que a empresa realiza, constantemente, estudos sobre as vantagens do uso do alumínio, apesar de atualmente o aço ser o principal material utilizado na fabricação de semirreboques graneleiros. “O alumínio é um excelente material para construção mecânica e que pode ser amplamente utilizado na fabricação de implementos rodoviários. O que se observa é sua utilização por tipo de transporte, pois tem segmentos com maior necessidade (e disposição para pagar por isto) e segmentos com menor necessidade (menor disposição deste custo inicial adicional)”, afirma Melo.

A Randon adota o alumínio como matéria-prima, mesmo porque têm consciência dos benefícios que o metal leve proporciona. “Como vantagens destacam-se a densidade aproximadamente 1/3 da do aço, resistência à oxidação – que dispensa gastos adicionais com pintura protetiva -, resistência mecânica – encontramos facilmente ligas com resistência similar aos aços de construção mecânica mais comuns -, e a possibilidade de obtenção de geometrias mais complexas e quase impossíveis de serem obtidas em materiais laminados de aço”, exemplifica Melo.

“Queremos mudar cultura e quebrar paradigmas, demonstrando que o alumínio é tecnicamente e economicamente a melhor opção entre os materiais disponíveis no mercado”, diz Gonçalves, da Alpina, que continua avaliando o uso do alumínio em implementos rodoviários e irá desenvolver novos estudos sobre o tema.

Vale lembrar que além das vantagens mencionadas de redução de custo operacional, o semirreboque de alumínio ainda gera maior renda ao final da vida útil da frota, dado o alto valor no mercado da sucata do material, 100% e infinitamente reciclável.

Assim, usar o alumínio no transporte de cargas é uma decisão sensata para quem busca rentabilizar ao máximo o negócio. Apesar de o custo inicial de aquisição do implemento ser superior, o investimento compensa, pois trata-se de uma oportunidade que pode ainda ser muito mais explorada.
O alumínio no semirreboque graneleiro

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