7 de outubro de 2008
Aplicação do metal reduz três vezes o peso da balsa e acelera atendimento aos usuários

Mirian Blanco |

Construção customizada em alumínio naval, associada a tecnologias de bi-combustível. Essa foi a solução encontrada pela TWB, maior empresa de transportes aquaviários de veículos e passageiros do Brasil, para modernizar o sistema ferry-boat (balsa de passageiros e veículos) da linha Salvador – Itaparica, localizada na Baía de Todos os Santos, no litoral do Estado da Bahia. Incluindo duas novas embarcações 100% em alumínio às operações da travessia marítima, a concessionária da linha terá uma forte redução nos custos de combustível e de manutenção, diminuirá as emissões de Co2 da balsa e ainda acabará com os transtornos que prejudicavam o turismo na região: as longas filas de espera.

A aplicação do alumínio à estrutura dos novos ferry-boats, um deles já em operação desde julho, proporcionou a construção de um modelo 1/3 mais leve, 200 t contra 600 t, em comparação com uma balsa similar, feita em aço. Com isso, hoje a embarcação navega a uma velocidade de 19 nós, enquanto as outras oito navegações que funcionam no local não ultrapassam os sete nós. A diferença é tão brutal que o tempo da travessia, estimado em uma hora e dez, cai para 35 minutos, no máximo, se o trajeto for realizado pelo novo veículo, agregando conforto, segurança, regularidade e, certamente, satisfação dos cinco milhões de usuários que usam o sistema a cada ano.

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A estrutura 100% em alumínio do ferry-boat pesa três vezes menos do que a mesma, feita em aço

Somada à leveza proporcionada pela aplicação do metal, a tecnologia dual fuel, totalmente desenvolvida no Brasil, com 70% de gás natural e 30% de óleo diesel, proporcionará uma economia de quatro mil toneladas de óleo anualmente, o que se converterá na diminuição de 75% da emissão de monóxido de carbono e dióxido de enxofre na atmosfera.Além disso, o tempo reduzido permite aumentar o número de pessoas e veículos transportados, já que em uma hora e dez minutos – período demandado pelas outras balsas para uma única travessia de 13 km – a nova embarcação faz dois atendimentos, transportando um total 1220 pessoas e 148 veículos. No mesmo período, as balsas em aço têm capacidade máxima para 1000 passageiros.

“Por todas essas vantagens, o custo três vezes superior para aplicação do alumínio é pago em três anos, o que é plenamente justificável uma vez que temos concessão de operação de 25 anos, prorrogáveis por mais 25”, afirma Paul Kempers, diretor responsável pelo estaleiro da TWB. A construção dos ferry-boats – os primeiros barcos a gás natural da América Latina – consumiram investimentos totais de R$ 85 milhões (R$ 70 milhões para as embarcações e R$ 15 milhões em estruturas de atracação).

A escolha pelo alumínio, aliada à tecnologia Dual Fuel, trouxe economia de quatro mil toneladas de óleo anualmente
A escolha pelo alumínio, aliada à tecnologia Dual Fuel, trouxe economia de quatro mil toneladas de óleo anualmente

Na conta do custo benefício entram também a grande resistência do metal à corrosão, o que evita futuros gastos com manutenção e restauração do casco, e a maior navegabilidade.

“Com o alumínio, a embarcação cala menos, já que o espaço entre o nível da água e o fundo do barco é menor, o que nos possibilita operar em águas mais rasas”, conta Kempers. A profundidade das praias de Itaparica é de três metros, em média.

Os ganhos com alumínio são tantos que a TWB deverá entregar mais três ferries semelhantes até 2010 para clientes terceiros. “Nos especializamos nesse tipo de embarcação”, diz Paul Kempers. Segundo ele, nos últimos três anos, a TWB produziu outros oito modelos com o metal. Dois deles, do tipo catamarã para operações ambientais no recolhimento de hidrocarbonetos, foram vendidos à Petrobras. Chamadas de Mero e Ilha de Caratateua, as embarcações reforçam o atendimento aos portos de Angra dos Reis e Belém, respectivamente. Duas unidades desse mesmo modelo operam hoje no recolhimento de óleo para Transpetro.

 

Outras quatro, do tipoOffshore (de apoio marítimo), foram comer-cializadas para Belgo Marítima, que também presta serviço à petrolífera brasileira. De acordo com Kempers, embarcações militares e empresas de transporte de passageiros são também os principais mercados para os veículos em alumínio. O projeto dos ferries da linha Salvador-Itaparica, credenciado pela reconhecida SeaTransport Solutions, da Austrália, deu a concessionária a exclusividade na execução de qualquer projeto da empresa na América Latina.

Processo de fabricação

Embarcação do tipo catamarã de alumínio ‘Mero’, utilizada pela Petrobras
Embarcação do tipo catamarã de alumínio ‘Mero’, utilizada pela Petrobras

Para atender a todos os requisitos do Ferry de Itaparica e aprimorar as propriedades mecânicas da estrutura, a balsa foi construída com alumínio naval soldado, na liga Al-Mg 5083, com têmpera ou grau de encruamento H116, qualidade não oferecida no mercado nacional e, por isso, importada da Alemanha. A liga apresenta 4,5% de magnésio, o que permite manter um elevado nível de dutilidade, elevada resistência à corrosão – superior ao alumínio comercialmente puro (série 1XXX) –, maior resistência a tração (350 MPa) e ao escoamento (255 MPa), e excelente dureza (90 HB), além de vantagens em soldabilidade.

Com todas essas peculiaridades e desafios técnicos, a construção da embarcação demandou 15 meses de trabalho, no Estaleiro TWB, na cidade de Navegantes, em Santa Catarina. As instalações ocupam uma área de aproximadamente 70 mil metros quadrados, com extensão de 320 metros às margens do rio Itajaí-Açu, permitindo o reparo de embarcações com dimensões aproximadas de 75 metros de comprimento por 16 metros de largura. O ferry da ilha Itaparica – batizado com nome de Ivete Sangalo – tem 53 metros de comprimento e 18 metros de largura, e conta com quatro motores de propulsão que totalizam 2.600 hp.

Itaparica ganha nova balsa bi-combustível em alumínio

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