27 de abril de 2018
Parte do grupo da equipe de Fórmula 1, Williams Advanced Engineering cria a FW-EVX, uma arquitetura escalável, com soluções e sistemas integrados

Por Marcio Ishikawa |

A Williams Advanced Engineering, empresa do mesmo grupo da famosa equipe Williams de Fórmula 1, apresentou um conceito de arquitetura para veículo elétrico, batizado de FW-EVX, produzido em alumínio e compósitos de carbono. Depois de revelado em setembro de 2017, durante o Low Carbon Vehicle Show, mostra anual de tecnologias sustentáveis realizado na Inglaterra, mais recentemente a empresa revelou detalhes mais técnicos de sua criação, que traz algumas soluções inéditas e promissoras.

Williams FW-EVX

A arquitetura FW-EVX é escalável. Ou seja, suas medidas são variáveis e, assim, ela pode atender aplicações dos segmentos C (do porte de Volkswagen Golf, Honda Civic ou BMW Série 1) e D (Mercedes Classe C, Toyota Camry ou Jaguar XE), além de variações intermediárias. O foco do projeto, segundo a empresa, são aplicações no segmento Premium ou de nicho.

Na medida de um típico veículo do segmento C, a plataforma pesa apenas 955 quilos. A estrutura inclui chassi com módulo de baterias, suspensão duplo A nas quatro rodas, até quatro motores elétricos e sistema de transmissão integral – além do próprio pacote de baterias de íons de lítio que, sozinho, pesa 350 quilos. O peso reduzido permite a instalação de uma maior quantidade de células de bateria, privilegiando a autonomia do veículo sem comprometer a performance ou a própria eficiência energética.

“Nós desenhamos os principais sistemas do FW-EVX como parte de um chassi de alumínio e compósitos. Assim, eliminamos os problemas que surgem quando elementos individuais de um powertrain elétrico são criados separadamente e depois integrados.”
Paul McNamara, diretor técnico da Williams Advanced Engineering

Além de escalável, outra característica importante da plataforma desenvolvida pela Williams é que o módulo de baterias é bastante delgado, ampliando o espaço disponível para a cabine e, também, reduzindo o centro de gravidade do veículo, o que contribui para aumentar a estabilidade do veículo, conferindo uma melhor dirigibilidade. Essa característica é fruto da experiência da empresa no fornecimento das baterias que são utilizadas nos carros da Fórmula E, a categoria de monopostos elétricos que vem atraindo cada vez mais o interesse das fabricantes de automóveis.

Vantagens – O diretor técnico da Williams Advanced Engineering, Paul McNamara, destaca que, além de oferecer leveza, segurança e zero emissões, um veículo construído sobre a plataforma FW-EVX também terá uma melhor relação custo-benefício do que uma eventual adaptação de uma arquitetura de veículo convencional com motor de combustão interna ou, ainda, de uma plataforma específica para veículo elétrico montada a partir de sistemas de diferentes fornecedores.

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“Nós desenhamos os principais sistemas como parte de um chassi de alumínio e compósitos”, diz o executivo. “Dessa forma, eliminamos a maioria dos problemas que surgem quando elementos individuais de um powertrain elétrico, que foram desenhados separadamente, são integrados na arquitetura de veículo, uma vez que ela será criada em volta de peças e sistemas com características próprias.”

Além de fabricantes que se disponham a adquirir a plataforma completa, atraídas por esse design com diversos sistemas integrados, a Williams também identifica outros potenciais clientes. Uma vez que diversas marcas, como Tesla, Mercedes-Benz, Volkswagen e Jaguar Land Rover (esta última que, por sinal, já é cliente da Williams Advanced Engineering) já desenvolveram suas próprias plataformas, a Williams acredita que haverá interesse no licenciamento de tecnologias específicas desenvolvidas para o projeto.

Inovações – O módulo central da plataforma FW-EVX conta com trilhos laterais de alumínio que fornecem zonas de deformação controlada para aumentar a absorção de impactos. Esses trilhos também desempenham outra função, canalizando ar para refrigeração do conjunto de baterias, coletados através de dutos na frente do veículo.

Williams FW-EVX

Soleiras captam o ar aquecido através de radiadores internos e, na sequência, o direcionam para um difusor na parte posterior do veículo, o que ajuda a criar pressão aerodinâmica – aumentando a aderência do veículo ao solo e, consequentemente, incrementando a segurança e também o desempenho em curvas.

O fato de o alumínio ser um bom trocador de calor também ajudou a reduzir o volume de ar necessário para a refrigeração. Os módulos de bateria são produzidos com uma base de alumínio, fixadas no assoalho do veículo, que atuam como um dissipador de calor.

As células da bateria ficam acomodadas em módulos individuais interligados, produzidos em fibra de carbono e que formam uma espécie de exoesqueleto, o que aumenta a resistência estrutural do veículo.

Williams FW-EVX

O processo de construção desses módulos também é uma novidade: são produzidas estruturas planas em uma única pré-forma que, depois, são montadas como estruturas tridimensionais com o uso de dobradiças embutidas também feitas em compósitos de carbono. Segundo a Williams, esse processo simplifica o processo de produção e reduz os custos. Os braços de suspensão da plataforma também são produzidos em fibra de carbono.

Leia também:
– A importância do alumínio nos automóveis elétricos

– Carros elétricos vão transformar a demanda de alumínio na indústria automobilística

Williams cria conceito de plataforma para veículo elétrico
Um comentário sobre a matéria:
  • 03/05/2018 em 15:17

    Parabéns a Williams pelo desenvolvimento da Plataforma FW-EVX. Espero que este desenvolvimento continue até chegarem a uma plataforma para veículos de menor porte.

    Responder

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