14 de dezembro de 2011
Redução no peso dos automóveis passa necessariamente por aumento no consumo do alumínio, que deverá dobrar até 2025. A previsão é um crescimento expressivo nos próximos anos tanto nos Estados Unidos como na Europa, conforme trabalhos divulgados pela Ducker e BBC Research

João André de Moraes |

Um corpo bonito, com medidas perfeitas e mais leves deixou de ser preocupação somente para modelos e manequins no mundo da moda há algum tempo. As pessoas do mundo todo controlam seus pesos como forma de preservar a saúde. A indústria automobilística também passou a adotar tal filosofia nos veículos produzidos com o mesmo objetivo: preservar a saúde, mas do meio-ambiente. Logicamente, essa verdadeira dieta pela qual passam os automóveis serve também para economizar recursos, aprimorar e racionalizar processos e aumentar a segurança e a eficiência no consumo.

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Enquanto o inimigo a ser combatido no corpo humano é a gordura, a dieta imposta aos veículos se concentra no emprego cada vez mais intenso de itens com menor peso, principalmente fabricados em alumínio. Se mundialmente essa aplicação se concentrava no sistema powertrain, em trocadores de calor e rodas – itens que ainda lideram o consumo de alumínio automotivo – agora esse metal ganha mercado rapidamente em outras partes do automóvel, como capôs, porta-malas, para-choques, acoplamentos de direção e braços de suspensão, conforme revelam pesquisa realizada pela Ducker Worldwide, no mercado norte-americano, e um estudo mundial produzido pela BBC Research englobando toda a área de transportes.

Para dar ideia da evolução esperada no setor, o trabalho da Ducker projeta que o consumo médio das indústrias automobilísticas norte-americanas saltará dos 148 quilos de alumínio registrados por veículo em 2009 para 250 kg em 2025, o que representará 16% do total de matérias-primas aplicadas na produção ou o dobro da participação atual. Segundo a pesquisa, essa previsão se mostra bastante conservadora. Para 2012 a expectativa é que o emprego do alumínio em automóveis e caminhonetes nos Estados Unidos alcance a casa dos 156 kg.

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Fonte: Ducker Worldwide, 2011

 

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Fonte: Ducker Worldwide, 2011

A administração Obama firmou um acordo com a indústria e principais grupos ambientalistas para reduzir a emissão de CO2. O objetivo é aumentar a eficiência no consumo de combustível em mais de 100%: de 11 km/l, base de 2008, para 23 km/l em 2025. Diante desse cenário, as montadoras buscam formas de reduzir o peso dos veículos. O objetivo é eliminar cerca de 180 kg em cada unidade fabricada, sem abdicar do conforto, segurança e até mesmo do tamanho dos carros. O trabalho desenvolvido pela Ducker estima que para atingir essa meta será necessário o maior uso do alumínio pelo setor.Já em relação ao peso médio dos veículos, o estudo aponta uma tendência de queda de 10,6% entre 2008 e 2025. Nesse período, a expectativa é de uma elevação de 8% no emprego do alumínio nos automóveis e caminhonetes. A estimativa da Ducker do mix de materiais utilizados na fabricação dos modelos se baseou em vários fatores, como tecnologia, custo, disponibilidade de material e a meta da economia de combustível anunciada pelo governo americano.

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Fonte: Ducker Worldwide, 2011

A participação dos aços avançados de alta resistência (AHSS- Advanced High Strength Steels), com 590 MPa ou mais, também está crescendo em substituição aos aços tradicionais, conforme revela o trabalho. No entanto, o potencial de redução de peso desse tipo de material é limitado. Quilo por quilo, o alumínio reduz proporcionalmente mais que o dobro em comparação aos AHSS. Apenas como exemplo, com 102 kg de alumínio por veículo será possível retirar em média 82 kg do peso total dos automóveis em 2025, representando 44% da meta de redução de peso. Já os aços de alta resistência conseguem a queda almejada ao tornar as espessuras das chapas menores. Entretanto, para manter a funcionalidade de componentes, como capôs, portas, bagageiros e para-lamas, essa redução, por limitações de rigidez, é restrita. Os novos AHSS em desenvolvimento prometem melhorar a conformabilidade das chapas, mas a densidade deles continuará sendo 2,9 vezes superior a do alumínio.

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Fonte: Ducker Worldwide, 2011

Em recente entrevista, o presidente do Grupo de Transportes da Aluminium Association e diretor de Marketing da Alcoa Inc., Randall Scheps, comentou que a pesquisa deixa claro que chegou a hora do alumínio em razão dos novos projetos privilegiarem a redução no consumo de combustível. “Carros e caminhonetes serão mais leves e econômicos graças ao alumínio, sem perderem o conforto e a segurança”, ressalta. “As regras federais de consumo mais rigorosas e a preocupação dos consumidores em relação aos preços da gasolina têm levado as montadoras a se moverem com maior rapidez, reformulando o desenho dos veículos, adotando em seus projetos combustíveis alternativos, novas tecnologias e materiais mais avançados”. Scheps lembrou ainda que o alumínio é o caminho mais curto, seguro, ecologicamente correto e de baixo custo para as indústrias darem início a esse trabalho.

O gerente mundial de materiais e produção da Ford, Matthew Zaluzec, projetou que entre 2015 e 2020 a companhia deverá se valer intensivamente do alumínio em seus modelos: “Pode não ser em 100%, mas deverá chegar a mais de 50%”. A Bloomberg revelou a intenção da Ford de empregar entre 115 kg a 340 kg de alumínio em cada veículo.

Pesquisa da BBC Research “Materiais leves no setor de transporte” comprova a tendência de aumento mundial no emprego do alumínio na indústria automotiva, bem como nas indústrias aeronáutica, naval e ferroviária, e prevê o crescimento da demanda de US$ 95,5 bilhões no ano passado para cerca de US$ 125,3 bilhões em 2015. “Por um período de cinco anos a taxa anual deverá ser de +5,6%”, estima o estudo. Isso porque a redução de peso estrutural é considerada uma das maneiras mais indicadas para a economia no consumo de combustível e também como forma de aprimorar o desempenho. Atualmente é aceito que 75% do consumo médio de combustível de um automóvel, por exemplo, esteja relacionado diretamente ao seu peso. Para 2011, a expectativa, segundo o estudo, é do mercado de transportes alcançar os 68,5 milhões de toneladas de alumínio ou US$ 106,4 bilhões.

O caminho para esse trabalho foi dado pioneiramente pela indústria aeronáutica que se valeu de materiais com pesos menores, mas com condições de responderem pelas exigências mecânicas e de resistência, desempenho e durabilidade, como as ligas de alumínio. A indústria automobilística somente intensificou o uso deste metal a partir da década de 90. Apesar disso, hoje o setor dá claros sinais que o emprego deverá crescer substancialmente nos próximos anos.

Dieta rígida

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