10 de setembro de 2018
Palestras e debates abordam tendências de aplicações, eletrificação da frota mundial, impressão 3D e políticas governamentais

O 8° Congresso Internacional do Alumínio, realizado entre os dias 3 e 5 de setembro em São Paulo (SP), teve um painel dedicado aos setores Automotivo e Transporte, coordenado por Fabiano Urso, Comitê de Mercado de Transportes. Temas relevantes, como as mais recentes tendências de aplicações, o processo de eletrificação da frota mundial e também a necessidade de mais clareza nas políticas regulatórias governamentais – foram abordados.

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Gerd Götz, diretor da European Aluminium Association, no 8° Congresso Internacional do Alumínio

Visão europeia
A palestra de abertura foi de Gerd Götz, diretor geral da European Aluminium Association, que iniciou sua fala abordando a necessidade cada vez maior de redução de peso dos veículos. “Nessa situação, o alumínio é a combinação ideal”, disse, ressaltando que esse processo, antes mais evidente nos veículos maiores e mais caros, já chega a outros segmentos, citando modelos recentemente lançados, como Alfa Romeo Giulia, Audi A3, Peugeot 308 e Renault Espace, que aumentaram expressivamente o conteúdo em alumínio.

Além disso, no processo de eletrificação dos automóveis e dos veículos de transporte que está em curso atualmente, o alumínio tem um papel fundamental – não só no que diz respeito à redução de peso (contribuindo para uma maior autonomia), mas também na proteção de baterias e também como o principal material das estações de recarga (infraestrutura).

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Papers
Após a palestra especial de abertura, uma série de três apresentações movimentaram o painel automotivo e de transportes o 8° Congresso Internacional do Alumínio.

A apresentação de Thiago Marandola Lemos, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, abordou o desafio da redução dos impactos ambientais de veículos em fim de ciclo de vida. Seu estudo, que tem como base projeto bem sucedido desenvolvido no Japão, ressalta a necessidade do desenvolvimento de um processo integrado para destinação dos veículos em final de ciclo de vida, de forma que todos os materiais recicláveis, como o alumínio, sejam aproveitados.

Já o executivo da Hydro Extruded Solutions, Jin Ho, lembrou que as diferentes regulamentações pelo mundo afora, exigindo a redução na emissão de poluentes e no consumo de combustível, é um catalisador do processo de redução de peso dos veículos. E que o alumínio é uma peça-chave nesse processo. Ho ainda destacou que o processo de extrusão permite a construção de peças de geometria complexa, oferecendo mais liberdade para a criação de soluções mais eficientes.

As vantagens do alumínio extrudado também foram abordadas na apresentação de Giuliano Michel Fernandes. Além disso, o executivo da CBA apontou diversas tendências do setor automotivo, como a eletrificação, impressão 3D, e ressaltou projeções de um recente estudo da CRU, que mostra como a eletrificação irá alterar a demanda de alumínio na indústria automobilística – resultando em um aumento de 342% de participação nos extrudados e uma redução de 45% nos fundidos. Por fim, Fernandes afirma que o futuro não pertence a um único material – mas é multi-material.

Palestra especial
The impact of electrification on lightweighting and aluminum demand” é o título da palestra especial do Vice Presidente Global Automotivo da Novelis, Pierre Labat, no 8° Congresso Internacional do Alumínio. Ele apresentou, inicialmente, diversas projeções, de diferentes empresas, institutos e consultorias, que convergem em um ponto: a produção de veículos elétricos deve superar a de veículos de combustão interna por volta do meio da próxima década.

“Os veículos elétricos representam uma nova oportunidade para a indústria do alumínio”, disse Labat, ao comentar que o metal é uma das peças-chave no processo de eletrificação.  O executivo mostrou um comparativo de dois conceitos de plataforma para um SUV elétrico, um em aço e outro em alumínio. Além da redução de peso, o projeto em alumínio consegue oferecer um aumento na autonomia do veículo e, também, mais segurança – para os passageiros e, em especial, para as baterias.

Debate
Congresso Internacional do Alumínio

O painel especial da indústria automobilística e de transportes no 8° Congresso Internacional do Alumínio foi finalizado com um debate entre representantes da indústria. 

No que diz respeito aos veículos elétricos, Carlos Santiago, Vice-Presidente de operações da Mercedes-Benz, destacou o ritmo acelerado com que eles estão chegando. “É uma tendência que já está acontecendo e de uma forma muito mais rápida do que que que havia sido projetado inicialmente”, disse. “E esta é uma grande oportunidade para o alumínio, principalmente quando falamos de veículos pesados, como caminhões e ônibus.”

Santiago destacou, ainda, que o alumínio é o “material ideal” para os componentes de proteção das baterias, não apenas pela maior absorção de impactos, mas também pela sua capacidade de troca térmica – uma vez que a refrigeração é essencial para o funcionamento desses sistemas. “Um dos grandes problemas que se enfrenta é o aquecimento das baterias, uma vez que muitas delas são colocadas em um espaço muito pequeno.”

Uma política governamental mais clara para o setor automobilístico foi um pedido geral de todos os participantes, começando por Marley Lemos, superintendente da Aethra, fornecedora de autopeças e soluções de engenharia para o setor. “Nós já trabalhamos no desenvolvimento de aplicações de alumínio, tanto em planos como em extrudados. O que nos falta é uma definição de uma política de aplicação”, disse, referindo-se à necessidade de escala para que essas aplicações sejam viáveis tanto do ponto de vista financeiro como do refinamento da engenharia. No entanto, o executivo ressaltou que o ROTA 2030 já apresenta uma melhor formatação, nesse sentido, que o programa antecessor, o Inovar-Auto.

Ricardo Albuquerque, supervisor de Arquitetura Veicular da Ford, seguiu na mesma linha. “Hoje ainda esbarramos na questão do custo de produção”, disse. “Enquanto não houver uma definição de como seriam os objetivos para a segurança veicular e a eficiência energética, para que possamos investir e aumentar a escala do alumínio aqui, continuaremos esbarrando na questão do custo.”

Marco Colosio, Gerente de engenharia de produtos da GM, afirma que é necessário colocar caráter social da eficiência energética nas políticas governamentais. “Hoje, a questão da sustentabilidade, a parte de controle das emissões de carbono é o que mais pesa no mundo”, disse. “Atualmente, a eficiência energética vem sendo tratada apenas como uma questão técnica.”

A crítica em relação à política governamental também se estendeu para a questão da eletrificação. “A questão da eletrificação não é uma das prioridades do governo em relação à mobilidade”, disse Raul Fernando Beck, da Comissão Técnica de Veículos Híbridos e Elétricos da SAE Brasil. “Tudo o que vem acontecendo nesse setor é fruto da iniciativa privada.”

Santiago, da Mercedes-Benz, falou também do destaque que a manufatura aditiva vem ganhando. “Atualmente nós utilizamos essa tecnologia para prototipagem e produção de séries de reposição, mas os business cases vão se fechando cada vez mais rápido”, afirmou. “Eu diria que será uma tendência muito forte com o veículo elétrico e, principalmente com o veículo autônomo”. Segundo ele, a automatização vai mudar o formato dos veículos e a demanda por customizações será cada vez maior – o que pode ser muito melhor atendido com a tecnologia de impressão 3D.

O 8° Congresso Internacional do Alumínio aconteceu paralelamente à edição 2018 da Expo Alumínio.

Congresso Internacional do Alumínio discute o setor automotivo e de transportes

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