4 de dezembro de 2014
Automóveis no mercado norte-americano terão em média 179 kg de alumínio em 2015.

Alexandre Akashi |

A quantidade de alumínio utilizada na indústria automotiva norte-americana deve crescer 28% em 2015 em relação a 2012, de acordo com o último relatório da Ducker Worldwide, intitulado “2015 North American Light Vehicle Aluminum Content Study”, que avaliou a evolução do uso do metal em todos os segmentos de automóveis produzidos na região. Com isso, o conteúdo total de alumínio para a produção dos esperados 17,46 milhões de veículos em 2015 equivalerá a aproximadamente 3,18 milhões de toneladas.

A Ducker estimou em 159 kg/veículo o consumo médio de alumínio em automóveis na América do Norte no ano de 2012. Em 2015 serão 179 kg/veículo e em 2025 espera-se que o consumo atinja, em média, 248 kg de alumínio por carro.

 Alumínio automotivo: 50 anos de crescimento na América do Norte
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 Nos últimos 40 anos, o consumo médio de alumínio por automóvel cresceu 3,2 kg ao ano. Nos próximos 10 anos, espera-se um crescimento de 6,4 kg ao ano. Fontes: DriveAluminum.org e Ducker Worldwide, 2014

Esse crescimento pode ser diretamente associado a maior presença do alumínio na fabricação de picapes e a elevada taxa de penetração de laminados e extrudados de alumínio em componentes de carroceria e painéis de fechamento (portas, paralamas, tampas de bagageiro, tetos e capôs), que, no próximo ano, representarão 11% de todo o alumínio consumido na fabricação de automóveis.

Componentes automotivos de alumínio no mercado norte americano em 2015: distribuição por peso
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Mais de 350 mil toneladas de alumínio estarão presentes em carrocerias e painéis de fechamento. Em componentes do motor serão mais de um milhão de toneladas, em transmissões cerca de 600 mil toneladas e em rodas quase 500 mil toneladas de alumínio. Fontes: DriveAluminum.org e Ducker Worldwide, 2014

Para se ter ideia, a picape Ford F-150 terá 490 kg de alumínio (25% do peso do veículo). Isso porque o modelo 2015 conta com carroceria 100% em alumínio; 318 kg mais leve que o modelo anterior em aço. Segundo a Ducker, no próximo ano, mais de 500.000 picapes e veículos elétricos terão carrocerias totalmente em alumínio, o que representa um conteúdo acima de 227 mil toneladas do metal leve.

As marcas com maior quantidade de alumínio nos veículos serão Tesla, Mercedes-Benz, BMW e Ford. Segundo o estudo, estas montadoras excederão em 2015 o conteúdo médio do metal, assim como o percentual médio de alumínio no peso líquido dos veículos, estimado em 10,4%.

2025
O relatório Ducker vai além e faz projeções para a próxima década. Em 2025, sete entre 10 novas picapes produzidas na América do Norte terão carroceria em alumínio, e todas as grandes montadoras terão um programa para uso do metal em carroceria, sendo que Ford, GM e Fiat Chrysler serão os maiores usuários de chapas de alumínio; produto com a maior taxa de crescimento na fabricação de automóveis nos próximos anos.

A penetração do capô em alumínio atingirá 85% e as portas 46%; carrocerias completas serão 18%, hoje não chegam a 1%. Isso tudo é que levará o conteúdo médio de alumínio para 248 kg por veículo, com consumo total na América do Norte estimado em 4,5 milhões de toneladas. Somente as chapas de alumínio para carrocerias e painéis de fechamento, que em 2012 representavam cerca de 90 mil toneladas, crescerão para 1,8 milhões de toneladas em 2025.

Penetração de carrocerias e painéis de fechamento em alumínio na América do Norte
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Para atender a enorme demanda do setor automotivo norte americano, 70% das chapas de alumínio serão em ligas da série 6xxx, tratadas termicamente, exigindo grandes investimentos na capacidade das linhas de tratamento térmico. Fontes: DriveAluminum.org e Ducker Worldwide, 2014

Em volume, a Ducker indica que em 2025 basicamente 26,6% do todas as carrocerias e painéis de fechamento serão feitos de alumínio, o que reduzirá o peso bruto médio dos veículos em cerca de 80 kg e o consumo global de alumínio em veículos leves se aproximará a 16 milhões de toneladas, fazendo da indústria automotiva o mais importante mercado para o alumínio, no mundo.

Laminados, fundidos e extrudados

As aplicações emergentes para o alumínio na indústria automotiva estão em componentes da carroceria e painéis de fechamento, com intensa participação dos laminados, que representavam 9% dos produtos de alumínio nos automóveis produzidos na América do Norte em 2012 e deverão atingir 31% desse total em 2025.

Peças fundidas continuarão liderando o conteúdo em peso de alumínio nos carros, mas com apenas 59% de participação nos produtos do metal em 2025, contra 82% em 2012. Ainda assim, o volume será expressivo: pouco mais de 145 kg por veículo, sendo 86 kg oriundos dos processos de fundição em molde permanente e em areia, 54 kg provenientes de fundição convencional em alta pressão e 5,4 kg de fundidos a vácuo sob alta pressão.

Em vinte anos, no mercado norte americano, estima-se que, em média, cada carro tenha em alumínio 68 kg de chapas (tratadas e não tratadas termicamente) e 19 kg de perfis extrudados. Esses produtos, mais os fundidos a vácuo sob alta pressão, serão responsáveis pela maior contribuição do alumínio com as metas de redução de peso dos automóveis e melhoria na economia de combustível em 90%, em 2025.

Consumo de alumínio em automóveis e veículos leves na América do Norte por tipo de produto
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Os produtos transformados, que representavam apenas 18% do total de alumínio nos carros em 2012, saltarão para 41% em 2025. Fontes: DriveAluminum.org e Ducker Worldwide, 2014


Distribuição por categoria de veículo

Com um mercado de automóveis e veículos leves estimado em 17,46 milhões de unidades em 2015, os SUVs continuarão sendo os modelos mais fabricados na América do Norte, com 33% da produção, e terão em média 186 kg de alumínio. Em segundo lugar estão os sedans médios (segmento D), com 21% da produção.

As picapes, com 17% da produção, serão os veículos com maior uso de alumínio, 249 kg em média, seguidas de perto pelos sedans grandes (E), que apesar de responderem por apenas 2% da produção, terão em média 248 kg de alumínio por veículo. Já os modelos compactos e subcompactos (segmento A e B) terão 114 kg de alumínio e representarão somente 3% da produção. Uma realidade bem diferente da do Brasil.

Produção média de veículos na América do Norte, em 2015, por segmento automotivo e a quantidade média de alumínio em cada categoria
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O conteúdo médio de alumínio no mercado norte americano será de 179 kg por veículo, em 2015. Quanto maior o veículo, mais alumínio. Fontes: DriveAluminum.org e Ducker Worldwide, 2014

 

Mercado nacional
Com características de mercado bem diferentes, o volume de alumínio nos carros brasileiros ainda é pequeno. Em 2013, as vendas de veículos leves somou 3.575.904 unidades, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), sendo 2.755.063 automóveis e 820.841 comerciais leves (vans, furgões e picapes).

Diferentemente da América no Norte, a grande maioria dos carros produzidos e vendidos no Brasil fazem parte do segmento A/B. De acordo com o anuário de Vendas da Fenabrave, os compactos e subcompactos representaram 77% das vendas de automóveis (ou 59% das vendas totais de veículos leves).

Sabe-se que a quantidade de alumínio nesse segmento ainda é pequena, se restringindo a blocos (presente apenas em alguns modelos), cabeçotes, carter e demais componentes de motor de carros como Ford Fiesta, Toyota Etios, Citroën C3, Peugeot 208 e Hyundai HB20. Porém, se fosse adotado o índice médio norte-americano nessa classe, de 114 kg de alumínio por veículo, o consumo total de alumínio nestes automóveis teria sido de mais de 240 mil toneladas, em 2013.

Já entre os comerciais leves, as picapes grandes foram responsáveis por 22% das vendas (ou 5% das vendas totais de veículos leves). Se aplicado o índice de 249 kg de alumínio por veículo (média do mercado norte americano nesse segmento), o consumo potencial teria sido de 45,5 mil toneladas do metal.

Segundo estimativas da ABAL, em 2013, foram consumidas cerca de 160 mil toneladas de alumínio na fabricação nacional de automóveis e comerciais leves, número muito inferior ao potencial de consumo, considerando-se os índices norte americanos para as mesmas categorias de veículos comercializados no Brasil. Isso mostra que existe um enorme espaço para o crescimento do uso de alumínio na produção brasileira de veículos, especialmente com os incentivos previstos no Inovar Auto. A tendência é essa!

Aumento de demanda

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