10 de junho de 2016
Vantagens e novidades voltadas para a indústria automobilística e de transportes foram discutidas no 7º Congresso Internacional do Alumínio

Por Marcio Ishikawa

O 7º Congresso Internacional do Alumínio, evento organizado pela ABAL e que aconteceu simultaneamente à edição 2016 da Expo Alumínio, no São Paulo Expo, teve palestras e painéis dedicados aos mercados automobilístico e de implementos rodoviários. Especialistas do mercado nacional e convidados internacionais abordaram as vantagens e benefícios do alumínio nos transportes, apresentaram novidades tecnológicas e discutiram as perspectivas para o futuro para a aplicação do metal.

Joe Quinn, Vice-Presidente de Relações Públicas da "The Aluminum Association"
Joe Quinn, Vice-Presidente de Relações Públicas da AA – “The Aluminum Association”

O americano Joe Quinn, Vice-Presidente de Relações Públicas da AA (The Aluminum Association), falou sobre as tendências do mercado norte-americano. Segundo o executivo, a indústria do aluminio como um todo promove um impacto de 186 bilhões de dólares na economia daquele país, correspondendo a 1% de seu Produto Interno Bruto. A demanda de alumínio na América do Norte, entre 2009 e 2014, passou de 8,1 bilhões de toneladas para 11,3 bilhões de toneladas, que corresponde a um crescimento de 36,2%.

Sobre o mercado automobilístico, ele foi enfático. “É errônea a ideia de que o alumíno é uma novidade na indústria automotiva”. Ele lembra que o alumínio começou a ser usado em trocadores de calor décadas atrás, passando pelas rodas, cabeçotes e blocos de motor, parachoques e paínéis de fechamento. “O que mudou foi a forma como o alumínio é usado. Por exemplo, nos útlimos anos, seu uso em painéis de fechamento se intensificou e, mais recentemente, chegou até a estrutura da carroceria”. A previsão da entidade é que, até 2025, a participação média do alumínio nos automóveis novos produzidos nos Estados Unidos, atualmente em 178 quilos, chegue à marca de 226 quilos (veja outros dados sobre o uso do alumínio nos automóveis no mercado norte-americano em nosso canal de estatísticas).

Ainda segundo o executivo da AA, a entidade prevê que, em 2020, todos os grupos fabricantes de automóveis presentes na América do Norte terão mais de uma arquitetura com uso intensivo de alumínio, além de diversos programas de uso intensivo de alumínio em painéis de fechamento. Como não poderia ser diferente, a Ford F-150, o primeiro veículo de grande volume a fazer uso intensivo do alumínio, é apontada como o grande marco do uso do alumínio na indústria automobilística.

Quinn afirma ainda que a indústria do alumínio está preparada para atender a demanda cada vez maior que se aproxima, destacando os 2,7 bilhões de dólares de investimentos de empresas do setor para expansão de diversas unidades. “Além disso, trabalhamos intensamente no desenvolvimento de soluções de técnicas de união para altos volumes”, citando o Manual de União Automotiva criado pela AA. Mas além da questão do volume, o executivo destaca a necessidade de melhoria contínua dos produtos. “Se em 1954 haviam 75 tipos de ligas disponíveis, esse número hoje está em 531, mas muito mais está por vir”, disse. As principais necessidades a serem atendidos são a alta resistência, absorção de energia, formabilidade, processos de fabricação e sustentabilidade.

Quinn também destacou a importância do alumínio para as fabricantes de automóveis frente as metas de consumo estabelecidas pelo CAFE (Corporate Average Fuel Economy – leia mais sobre o programa aqui, citando uma recente pesquisa realizada pela DuPont, na qual 900 engenheiros automobilísticos elegeram o alumínio como o material no qual eles mais confiam para atingir as audaciosas metas estabelecidas para 2025. Quinn ainda mencionou o projeto “Multimaterial Lightweight Vehicle” da Ford, em parceria com a Magna, que comprova, através da avaliação ciclo de vida, as vantagens da redução de peso em um protótipo multimaterial com uso intensivo de alumínio quando comparado com outro que utilizava aços de alta resistência e um modelo convencional (leia mais aqui).

Micromill
O novo processo de fabricação do alumínio da Alcoa, chamado Micromill, foi o tema da palestra de Enrico Restuccia, italiano que é gerente de produto da Danieli, parceria global fornecedora de instalações e equipamentos industriais. A nova tecnologia tem um grande potencial para a indústria automobilística e já existe um acordo em vigor com a Ford, que já utiliza produtos dela derivados na picape F-150.

Enrico Restuccia, gerente de produto da Danieli
Enrico Restuccia, gerente de produto da Danieli, empresa parceira da Alcoa no desenvolvimento do Micromill, falou sobre o novo processo de fabricação do alumínio

Segundo Restuccia, a planta piloto em San Antonio, no Texas, é a mais rápida e produtiva instalação de fundição e laminação do mundo. Um dos dados mais impressionantes é o fato de que o tempo do processo tradicional de laminação, que levava 20 dias, com o Micromill é reduzido para apenas 20 minutos. “A linha de fabricação tem apenas 25% do comprimento da tradicional e o consumo de energia no processo é reduzido em 50%, deixando apenas um quarto da pegada de carbono”, complementa.

O produto final também apresenta vantagens em sua microestrutura, pois é 40% mais moldável e 30% mais resistente que o obtido através do processo tradicional, mantendo o mesmo grau de leveza. Restuccia ainda destaca que, em relação ao aço de alta resistência, ele é duas vezes mais moldável, com resistência a impactos equivalente. Dessa forma, a novidade oferece novas opções de design em projetos futuros, com mais resistência a entalhamentos, além de reduzir custos de produção.

Transporte de cargas
Marcelo Gonçalves, sócio diretor da Alpina Consultoria, falou sobre as vantagens da utilização do alumínio no transporte rodoviário de cargas e também apresentou alguns casos de sucesso. Ele lembrou que, como o alumínio é mais leve, permite que o implemento transporte mais carga e, assim,  proporciona uma maior lucratividade e retorno sobre o investimento mais rápido, mesmo levando em consideração o investimento inicial adicional demandado. Outras vantagens que foram destacadas: a resistência à corrosão, reduzindo custos de manutenção; a segurança, já que em caso de colisão o alumínio absorve mais energia e, em caso de tombamento, não produz faísca em contato com o asfalto; e o fato de o alumínio ser infinitamente reciclável.

Marcelo Gonçalves, sócio diretor da Alpina Consultoria
Marcelo Gonçalves, sócio diretor da Alpina Consultoria, falou sobre a maior lucratividade proporcionada pelo uso do alumínio no transporte rodoviário de cargas

Há dois paradigmas em relação aos implementos rodoviários em alumínio que precisam ser quebrados, segundo Gonçalves. O primeiro é que o alumínio não possui a resistência necessária para suportar os esforços. Como contraponto, citou o exemplo da Apollo 11, missão que levou o homem até a Lua pela primeira vez, cujo foguete era feito em alumínio e foi submetido a uma aceleração oito vezes superior à velocidade do som. O segundo paradigma é de que o alumínio é caro. Gonçalves lembra que isso só é verdadeiro se for levado em conta o preço inicial, sem contabilizar os benefícios proporcionados no que diz respeito à redução de custos (menor manutenção e redução do consumo de combustível quando o implemento está vazio) e, principalmente, no que diz respeito ao aumento da lucratividade em função da redução da tara e do aumento da capacidade de carga. (leia mais sobre o assunto aqui e aqui)

Anfavea
O Congresso ainda contou com a participação de Antônio Carlos Botelho Megale, Presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que falou dos desafios que a Economia nacional tem pela frente, tal como a indústria automobilistica. Em palestra realizada na abertura do evento, Megale definiu o mercado brasileiro como uma das economias com maior potência de crescimento no mundo, principalmente para os fabricantes de automóveis, que tem na busca pela eficiência energética um dos seus maiores desafios. E, nesse cenário, o alumínio é a matéria-prima que aparece como um dos grandes aliados, fornecendo benefícios também no que diz respeito à segurança, conforto e sustentabilidade.

Alumínio nos transportes em debate

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *