5 de outubro de 2010
Pesquisa mostra benefícios da aplicação do uso do alumínio em grades, rodas, revestimentos, portas e laterais de carretas e semi-reboques

Mirian Blanco |

O aumento da utilização de componentes de alumínio em carretas (conjunto de cavalo mecânico mais reboque) pode remover até 1,5 tonelada do peso total do veículo, aumentando a capacidade de carga em cerca de 6,5% e reduzindo o consumo de combustível desses equipamentos na mesma proporção. É essa a conclusão de um estudo da empresa britânica especializada em pesquisas Ricardo Inc. O trabalho, encomendado pela Aluminum Association, mostra que a redução do consumo de combustível – conseguida por meio do uso do alumínio – representaria, para os frotistas, uma economia de 777 a 1.612 litros de diesel por ano/por veículo, considerando 160.000 km (ou 100.000 milhas) trafegadas. Com isso, cairia também a emissão de dióxido de carbono (CO2) por veículo – algo entre 8,6 toneladas e 17,9 toneladas por ano.

“Ao adquirir o modelo intensivo em alumínio, a maioria das frotas iria observar um retorno de tal investimento inicial em menos de três anos, considerando um valor de US$ 3 por galão”, observou Randall Scheps, presidente do The Aluminum Association’s Aluminum Transportation Group (ATG). “A melhor maneira de ter economia de combustível – algo exigido por esforços para o controle dos gases de efeito estufa – sem sacrificar o desempenho, é reduzir o peso total do veículo”, disse.

Considerando os resultados obtidos para a frota norte-americana, que tem aproximadamente dois milhões de veículos da classe 8  (vide tabela abaixo), o relatório da Ricardo avalia que o impacto de redução de peso observada pelo uso do alumínio resultaria numa economia de 3,79 bilhões de litros de diesel e 10 milhões de toneladas de CO2 por ano. “Estamos descobrindo que, após os aumentos do preço dos combustíveis no setor de transporte rodoviário observados até 2008, combinado com o impacto da regulamentação das emissões atuais e futuras, as frotas estão agora mais dispostas a explorar o uso de materiais mais leves em seus veículos”, esclarece Scheps.

A pesquisa comparou o desempenho de três tipos de veículos: duas carretas da Classe 8 de veículos comerciais pesados (categoria com peso bruto superior a 14.969 kg), sendo uma fabricada com metal convencional e, outra, intensiva em alumínio; e um semi-reboque fabricado com vários itens leves de alumínio. O levantamento levou em consideração também três condições de carga – descarregados, com carga pela metade e em sua total capacidade.

Em outras palavras, as simulações do estudo previram a melhoria da eficiência de combustível de três modelos de veículos com uso intensivo de alumínio ao passar por operações de descarregamento e carregamento pela metade. Os tipos de veículos e as configurações de carga simulados neste estudo são mostrados abaixo.

Configuração do veículo Peso do cavalo mecânico Peso do reboque Total
(libras)
 Carreta convencional 16.000 13.500

50.500

25.250

0

80.000 GVW

54.750 Carregado pela metade

29.500 Descarregado

 Semi-reboque 15.500 12.500

50.500

25.250

0

80.000 GVW

53.250 Carregado pela metade

28.000 Descarregado

 Carreta de alumínio  intensivo 14.500 11.700

50.500

25.250

0

80.000 GVW

51.450 Carregado pela metade

26.200 Descarregado

 

O relatório, intitulado “Fuel Efficiency Impact of Vehicle Weight Reduction in Class 8 Trucks” (“Impacto da redução de peso de veículos da classe 8 de carretas na eficiência de combustível”), cobriu os ciclos principais de serviço dentro do transporte comercial norte-americano. “Encomendamos essa pesquisa para ter certeza sobre a economia de combustível e potenciais ganhos de eficiência de carga em modelos de caminhões com maior uso de alumínio”, explicou Scheps.

Segundo o estudo, em carretas, a grade frontal, as rodas e o revestimento da cabine são as principais áreas onde o uso de alumínio tem potencial para gerar uma economia grande de peso – cerca de 200, 160 e 150 quilos, respectivamente – com diversos componentes da suspensão oferecendo outros 65 quilos de economia. Para os semi-reboques, os maiores efeitos de redução de peso são as laterais (446 quilos), rodas (130 quilos) e portas (185 quilos). A tabela abaixo mostra o potencial de redução de peso do alumínio por componente.

Economias de peso, por componente, constatadas pelo uso intensivo do alumínio

Carreta
Grades de armação
Janelas
Cabine
Travessas
Portas
Teto
Outros
Suspensão
(lbs)
440
350
330
70
50
55
60
145
 


Reboque

Laterais
Parte traseira
Porta lateral corrediça
Portas
Sapata de apoio
Janelas

 


(lbs)

985
150
145
185
50
285

________ ________
Redução de peso 1500 Redução de peso 1800

A conclusão do estudo é que a eficiência de carga, a economia de combustível e os ganhos de redução de emissões são metas acessíveis a partir de uma maior utilização de componentes de alumínio. E esses ganhos podem reforçar outras melhorias, como na aerodinâmica e na otimização do motor.

Além de avaliar o impacto da redução de peso por si só, o estudo analisou a combinação de redução de peso e da redução de arrasto aerodinâmico nos veículos. A pesquisa concluiu que quando se associa a redução do peso intensivo de alumínio com um aumento de 8% no arrasto aerodinâmico, a melhoria da economia global de combustível em relação ao veículo convencional chega a 8.2%.

Classes de veículos
Nos Estados Unidos, a classificação comercial de veículos é medida pelo índice GVWR (Gross Vehicle Weight Rating, ou em português, avaliação do peso bruto do veículo), categorizado em classes do intervalo de 1 a 8. O índice considera a massa máxima admissível de um veículo rodoviário ou reboque quando carregado – incluindo o peso do próprio veículo, mais combustível, passageiros, carga e reboque.

Classe 1
Classe 2
Classe 3
Classe 4
Classe 5
Classe 6
Classe 7
Classe 8
Alumínio aumenta capacidade de carga de carretas em 6,5%

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