30 de novembro de 2015
Estudo avalia o uso de um semirreboque em alumínio, duas toneladas mais leve que o padrão em aço.

João André de Moraes |

Um estudo específico sobre o transporte rodoviário de grãos, conduzido pela NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) para a ABAL (Associação Brasileira do Alumínio), aponta que a utilização de implementos de alumínio traz inúmeros benefícios às transportadoras, graças a uma melhora significativa da eficiência das operações. Uma situação que todo negócio almeja, e que, diante do atual cenário do agronegócio, com queda no valor das commodities e aumento no volume transportado, é essencial para manter a saúde financeira das empresas de transporte.

A soja em grãos, o produto mais vendido para o exterior, dá a dimensão exata do fenômeno. Apesar do volume embarcado no último mês de setembro ter aumentado 38,8% (de 2,699 para 3,705 milhões de toneladas), o faturamento da operação não subiu proporcionalmente, com um aumento de apenas 6,2% (de US$ 1,346 bilhão para US$ 1,429 bilhão). Isso aconteceu devido à queda de 23,5% no preço médio da tonelada, que foi de US$ 504 para US$ 386.

O engenheiro Antônio Lauro Valdívia Neto, assessor técnico da NTC&Logística, comenta que as simulações realizadas no estudo mostraram que “o uso do semirreboque de alumínio leva a uma redução de custos, proporcionada pela queda de consumo de combustível, menor desgaste de pneus e na necessidade de manutenção geral, em razão do equipamento ser mais leve”. No entanto, ele explica que essa é apenas uma das vantagens. O ganho principal apresentado pelo implemento de alumínio aconteceria em função do aumento na capacidade de carga. Isso porque a versão de alumínio do semirreboque graneleiro com três eixos (13,90 m x 2,60 m x 1,70 m), avaliado na simulação, teria 7 toneladas, duas a menos que o modelo de aço, peso que pode ser convertido em carga transportada. “A empresa maximiza a eficiência da operação quando o caminhão está carregado, pois existe elevação da receita”.

Eficiência
Outro ponto importante apontado por Neto é a maior rapidez em relação ao retorno do investimento. Enquanto o semirreboque de aço demora 69 meses para recuperar os valores aplicados na aquisição do implemento, o equivalente de alumínio faria o mesmo em apenas 25 meses. Esse estudo foi apresentado pela primeira vez em 2012, mas os dados da simulação, atualizados em setembro deste ano, ampliaram ainda mais as vantagens do alumínio.

O professor doutor Marcelo Gonçalves, da Alpina Consultoria e coordenador de Projetos da ABAL, comenta que o semirreboque graneleiro de alumínio – ainda não fabricado no Brasil – ofereceria grande eficiência operacional. “Normalmente, o transporte de grãos exige que seja usado o limite de capacidade de carga do caminhão e, com as duas toneladas a menos no implemento, existe um grande benefício”. Tomemos como exemplo o Grupo Hungaro, gigante do setor de transportes que opera atualmente com 800 veículos, entre basculantes e graneleiros, e transporta cerca de 12 milhões de toneladas por ano. “Fazendo uma conta rápida, a empresa conseguiria com equipamentos de alumínio, substituindo os de aço com 35 t de capacidade de carga, diminuir em 5% o número total de viagens necessárias para transportar o volume anual atendido. E isso não é pouco, são 18.532 viagens a menos”. Apesar das vantagens apresentadas, Gonçalves afirma que na área de transporte é preciso quebrar alguns paradigmas em relação a aplicação do alumínio. “O alumínio pode ser muito resistente. A aplicação do material com sucesso no de transportes depende de um bom projeto e da seleção correta da liga. Basta lembrar que é o material de maior uso em aviões, o que significa dizer que não pode falhar”, argumenta. Ele ainda enfatiza que o alumínio não é caro. “Usando o programa de simulação da NTC&Logística, verificamos que o semirreboque graneleiro de alumínio continua garantindo menor tempo de retorno de investimento e maior lucro para o transportador ainda que custe mais que um implemento novo de aço”.

O preço estimado do semirreboque de alumínio avaliado na simulação é de R$ 94 mil, contra R$ 81 mil do modelo de aço. O estudo estabeleceu como dados de operação um grau de ocupação de 69,6%, (tempo total de 336 h/mês e de viagem 234 h/mês), supondo ainda que o caminhão rode vazio em aproximadamente 25% do tempo de utilização e faça 800 km por viagem, a uma velocidade média de 50 km/h. Considerando esses parâmetros, foi possível verificar um lucro acima de R$ 460 mil em 10 anos com o implemento de alumínio contra R$ 140,7 mil proporcionados com a versão de aço. Quando é feita uma análise de uma frota completa de caminhões, a lucratividade proporcionada pelas carrocerias de alumínio é significativamente superior. Vale lembrar que as informações usadas no cálculo do custo do frete foram estabelecidas pela NTC&Logística, que conta com ampla experiência e dados reais do transporte de carga no Brasil.

No caso dos gastos rotineiros, a NTC&Logística considera que o graneleiro de alumínio permite uma redução de 4% no consumo de combustível e aumento de 5% na durabilidade de pneus novos, em comparação com o implemento de aço. A simulação ainda levou em conta que, após dez anos de operação, o valor residual da versão de alumínio é 80% do valor de aquisição. Enquanto isso, em aço é de apenas 40%.

 

 

 

Expectativa

O diretor Executivo do Grupo Hungaro, Rômulo Hungaro, confirma que o volume transportado do agronegócio, em geral, tem aumentado. Mas, além da queda nos preços das commodities, cita outros problemas que reduzem a rentabilização da categoria, como o aumento no preço dos combustíveis e carga trabalhista. A busca por soluções para reduzir custos e aprimorar a operação tornou-se um dos principais objetivos da empresa. “Uma das soluções que encontramos foi a aquisição de equipamentos com maior capacidade de carga líquida, apesar da restrição de horário de sua utilização”, explicando que os conjuntos de 52 toneladas podem circular apenas no período diurno.

A empresa nunca utilizou implementos fabricados de alumínio, mas Rômulo não disfarça o interesse, principalmente em função do potencial de redução de peso do implemento. “Quanto maior a minha capacidade de carga, mais eu conseguirei diluir o meu custo”, ressalta. “Sem dúvida gostaria de trabalhar com um implemento de alumínio na operação”.

No âmbito do “Projeto ABAL Carga Seca sobre Chassi”, dois caminhões estão em testes práticos com carrocerias 100% de alumínio, com capacidade para 14 toneladas, comenta Gonçalves, coordenador do projeto. Os bons resultados obtidos com as carrocerias sobre chassi podem servir para estruturar uma nova iniciativa no setor de transporte com a criação de um implemento semirreboque específico para o transporte de grãos e, assim, atender a expectativa de Rômulo e de todas as empresas do setor interessadas em melhorar sua eficiência e lucratividade.

Semirreboque graneleiro de alumínio:
● Transporta 2 toneladas a mais de carga.
● Após 10 anos de operação com um único veículo é possível comprar quase 5 novos implementos de alumínio.
● Permite lucro 3 vezes superior, podendo ampliar essa vantagem à medida que se aumenta a frota de veículos.
● O retorno sobre o investimento (ROI) é pelo menos 2,8 vezes mais rápido, mesmo tendo custo de aquisição superior.

 

A diferença além do peso
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